29 de Agosto de 2008 / às 18:33 / em 9 anos

Ainda no fundo do mar, pré-sal vira "porta da esperança"

Por Natuza Nery e Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Nem uma gota de petróleo do pré-sal foi produzida ainda e já há uma fila de chapéu na mão interessada em gastar o dinheiro da megadescoberta. Todos querem uma fatia do bolo que só deve ficar pronto a partir de 2014.

Do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ministros e políticos, todo mundo opina sobre o destino dos recursos e disputa por uma cota na partilha de um produto ainda a ser explorado é acirrada.

E quando começar a jorrar petróleo, será que vai ter para todo mundo?

Quem largou na frente pedindo a sua “parte nesse latifúndio” foi o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que em junho reivindicou recursos para reaparelhar a Marinha, visando defender o próprio pré-sal.

Logo em seguida, senadores e deputados iniciaram uma corrida de propostas para o uso dos bilhões, a maioria defendendo a distribuição dos royalties para além dos Estados e municípios produtores. No Congresso, já tramitam projetos destinando o dinheiro do petróleo para as mais diversas áreas.

“Nós começamos o discurso do pré-sal pelo fim, só escuto falar de fundo para saúde, fundo para meio ambiente, fundo para a cultura, fundo para a Olimpíada 2016”, ironizou o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), um dos palestrantes do evento batizado de “Os desafios do pré-sal”.

Virou uma “porta da esperança”, definiu no melhor estilo fogo amigo o senador Delcídio Amaral (PT-MS).

O presidente Lula fomentou o debate pelos recursos ainda inexistentes ao declarar que o pré-sal será usado para fazer política pública, com investimentos na educação e no combate à pobreza. Uma lista de ministros também já manifestou intenção de dividir o dinheiro ainda virtual.

Guido Mantega (Fazenda) deseja aplicar os recursos no fundo soberano para impedir pressões inflacionárias e mais valorização do real.

Fernando Pimentel (Previdência) trabalha para que os recursos gerados com a exploração do petróleo ajudem a pagar o déficit da previdência rural.

José Gomes Temporão (Saúde) também defendeu seu quinhão. Já o novo ministro da Cultura, Juca Ferreira, assumiu a pasta na última quinta-feira definindo até percentual de repasse para sua pasta: 1 por cento.

“Nós daremos a cada ministério aquilo que for possível dar. Nem mais, nem menos”, alertou Lula na véspera, em resposta ao apressado pedido de Ferreira.

Edição de Mair Pena Neto

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