29 de Outubro de 2008 / às 20:25 / 9 anos atrás

Vale Inco espera ser poupada de cortes na produção de níquel

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 29 de outubro (Reuters) - O vice-presidente e chefe de operações da Vale Inco, Parviz Farsangi, disse esperar que, na avaliação que a controladora Vale está fazendo sobre possíveis reduções na produção de níquel devido à queda na demanda, as suas operações no Canadá sejam menos afetadas do que em outros lugares do mundo.

Segundo Farsangi, o custo do capital no Canadá é menor, e por esse motivo a produção custa menos para a Vale. Ele afirmou que a Vale manterá também os projetos de níquel em Goro, na Nova Caledônia, e em Onça Puma no Brasil, apesar de não saber em qual mês entrarão em operação.

"Em outros projetos nós queremos ter certeza de que quando começarem, será de maneira adequada", disse Farsangi a jornalistas durante a 2a Conferência de Níquel das Américas, que acontece no Rio, lembrando que o projeto de Vermelho, também no Brasil, já havia sido postergado anteriormente.

Segundo Farsangi, Goro vai produzir no primeiro ano entre 16 e 17 mil toneladas de níquel. O executivo não soube precisar quando o projeto atingirá sua capacidade máxima de 60 mil toneladas.

"Goro é viável no longo prazo com quase qualquer preço", avaliou.

Já em Onça Puma, Farsangi explicou que os desafios são maiores por que é necessário haver um treinamento de mão-de-obra local que em Goro não foi necessário.

A Vale anunciou na sexta-feira que reduziu em 20 por cento a produção de uma planta de níquel na Indonésia e em 35 por cento as atividades em uma unidade de processamento do metal em Dalian, na China para enfrentar a retração da demanda diante da crise financeira global.

Segundo Farsangi, a produção na unidade PT Inco (Indonésia) tinha um custo em torno de 8 a 10 dólares por libra, enquanto a média da indústria está em cerca de 6 dólares a libra.

Farsangi não soube informar um valor com que a empresa trabalha para o metal no médio prazo --"se eu soubesse, trabalharia por conta própria", afirmou--, mas se disse otimista com a recuperação dos preços do níquel, apesar de salientar ser impossível saber quando e para quanto esse movimento ocorreria.

"O que estamos fazendo nós não vamos mudar, os preços do níquel vão se recuperar... nós sabemos que o mundo precisa de mais níquel", disse o executivo, minimizando as perspectivas de queda de demanda na China.

"Eles (China) caíram de crescimento de 10 para 9 por cento".

Ele explicou que no momento os estoques de níquel estão baixos porque as tradings não estão comprando a commodity.

"Os traders não vão comprar até (o preço) atingir o fundo do poço. E quando o preço começar a subir, eles vão comprar para aumentar os estoques. E isso vai fazer o preço subir bem rápido".

Reportagem de Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira

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