30 de Março de 2008 / às 19:42 / em 10 anos

Sadr pede que militantes deixem as ruas no Iraque

Por Khaled Farhan

NAJAF, Iraque (Reuters) - O clérigo xiita Moqtada al-Sadr conclamou seus seguidores no domingo a parar de combater as tropas do governo, na tentativa de estancar a violência nas grandes e pequenas cidades do país, que tem ameaçado fugir de controle.

“Por causa da responsabilidade religiosa, e para fazer com que se pare de derramar sangue iraquiano, nós pedimos um fim das ações armadas em Basra e em todas as outras províncias”, disse Sadr em um comunicado distribuído a jornalistas por auxiliares na cidade sagrada xiita de Najaf. “Qualquer um que carregar uma arma e alvejar insituições do governo não será um dos nossos.”

O comunicado de Sadr é resultado de conversas “de bastidores” entre os “sadristas” e a Aliança Xiita, medidados pelo ex-primeiro-ministro Ibrahim Jaafari, o político xiita Ahmed Chalabi e o chefe do parlamento sunita Mahmoud Mashhadani.

Chalabi disse à Reuters que o comunicado de Sadr é “crucial para conter o derramamento de sangue em Basra”, mas o governo também tem de parar de “almejar” os seguidores de Sadr.

O governo aprovou o comunicado de Sadr, mas disse que continuaria a tentar controlar Basra, cujo poder está dividido entre diversas gangues e milícias.

“O comunicado de Sadr é um passo na direção certa”, disse Nuri al-Maliki, primeiro-ministro iraquiano.

O porta-voz do governo, Ali al-Dabbagh disse que a operação vai continuar até que “atinja seus objetivos”. Ele afirmou que o foco das tropas iraquianas é perseguir criminosos em geral, não seguidores de Sadr.

Ainda não está claro qual efeito o pedido de Sadr vai ter, mas as lutas parecem ter se acalmado em Basra e na cidade de Nassiriya, disseram repórteres da Reuters.

“Estamos agora telefonando para nossos quartéis-generais”, disse um comandante menor do Exército Mehdi, na cidade de Sadr, em Bagdá. Ele disse à Reuters que seu nome é Abu Haidar. “Não sabemos o que fazer. Se tivermos armas nas mãos, o governo vai se opor a nós, mas se as largarmos, os americanos virão, vão cercar nossas casas e nos capturar”.

O presidente dos EUA, George W. Bush, elogiou a operação em Basra, dizendo ter sido planejada e liderada pelo Iraque. Mas há sinais de que a coalizão EUA-Grã-Bretanha esteja profundamente envolvida no conflito. As forças especiais dos EUA estão operando em Basra em paralelo com as tropas iraquianas, informou o Exército norte-americano no domingo.

Forças britânicas, que se retiraram da cidade no ano passado, também se moveram para seus arredores. Um porta-voz britânico disse que não havia planos até o momento de as forças do país entrarem por solo em Basra.

ESTOPIM

Uma revolta dos seguidores de Sadr no porto petrolífero de Basra foi o estopim para uma explosão de violência no sul do Iraque e em Bagdá, que ameaça os recentes progressos obtidos na frágil segurança do país e põe em perigo os planos de retirada das tropas dos EUA.

O primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, ordenou que os militantes em Basra baixassem as armas e extendeu um prazo de 72 horas para o dia 8 de abril.

Maliki lançou a operação militar na última terça-feira, prometendo retomar o controle de seu governo sobre a segunda cidade do Iraque, que está dominada por diversas milícias. Mas até o momento, apenas edifícios ligados a Sadr foram alvejados.

A operação gerou uma resposta furiosa da milícia Exército Mehdi, ligada ao clérigo, que acredita que Maliki e o Conselho Supremo Islâmico Iraquiano, seu mais poderoso aliado xiita, estejam tentando esmagá-lo antes das eleições provinciais, que acontecem em outubro.

Forças do governo até agora não conseguiram retirar os milicianos das ruas de Basra.

Imagens da Reuters Television mostraram membros mascarados do Mehdi exibindo metralhadoras e lançadores de foguetes. Eles dançavam do lado de fora de uma estação de transmissão de uma TV estatal após disparar contra militares iraquianos.

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