30 de Maio de 2008 / às 19:58 / 9 anos atrás

Dólar mira R$1,60 com novo status do país

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caiu pelo terceiro dia seguido nesta sexta-feira, em meio a expectativas positivas depois da concessão de mais um grau de investimento para o Brasil e da confirmação de que o governo não comprará dólares no curto prazo para o fundo soberano.

A moeda norte-americana terminou em baixa de 0,67 por cento, a 1,628 real --menor valor de encerramento desde 20 de janeiro de 1999.

Após o aval da Fitch ao país, na véspera, foi a vez do governo dar uma notícia favorável à queda do dólar. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o fundo soberano será composto por reais em um primeiro momento, sem a necessidade de comprar moeda estrangeira no mercado.

Inicialmente, um dos objetivos do fundo seria enxugar parte do excedente de dólares, amenizando a valorização do real. Com a mudança de foco, analistas vêem mais espaço no curto prazo para a queda da moeda norte-americana.

Mas ainda há muita incerteza sobre a profundidade da queda do dólar. “Com o fluxo (trazido pelo grau de investimento), agora o dólar realmente vai querer esse 1,50 (real). Mas não sei a velocidade”, disse Renato Schoemberger, operador da Alpes Corretora. “Ele deve trabalhar o mês de junho em 1,60 (real)”.

Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, acredita que os bancos trabalharão para manter a taxa de câmbio longe de 1,60 real, já que a continuidade da queda desvalorizaria os dólares nas mãos das instituições --até a metade do mês, a posição comprada em moeda norte-americana pelos bancos superava 12 bilhões de dólares.

“Se o aumento do fluxo não se tornar efetivo, (os bancos) terão todo o interesse em ‘puxar’ a taxa rapidamente para cima”, escreveu em relatório.

No mercado futuro, porém, os bancos são os agentes com mais posições vendidas --apostando na queda do dólar. Isso pode contrabalançar eventuais perdas das instituições.

Segundo Milton Mota, operador da SLW Corretora, a queda do dólar nesta sexta-feira também foi favorecida pela alta da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e dos principais índices de ações em Wall Street.

A baixa do dólar nos últimos três dias garantiu que a divisa terminasse maio com queda acumulada de 2,10 por cento. Em 2008, a desvalorização do dólar é de 8,38 por cento.

No final da sessão, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares no mercado, com pouca influência sobre a taxa de câmbio. Foram aceitas três propostas, segundo um operador, com taxa de corte a 1,6292 real.

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