30 de Março de 2008 / às 18:07 / 10 anos atrás

Povoado boliviano ameaça tomar campo operado por Repsol-YPF

LA PAZ (Reuters) - Dirigentes cívicos do povoado boliviano de Camiri, que pressionam o governo de Evo Morales para que “aprofunde” a nacionalização dos hidrocarbonetos do país, ameaaçaram tomar um campo petrolífero operado pela companhia espanhola Repsol-YPF, informaram jornais locais no domingo.

Somente uma intervenção direta do presidente indígena poderia impedir a radicalização do protesto, disseram representantes de Camiri na noite de sábado, depois que as negociações que faziam com uma alta delegação governamental aparentemente chegaram a um beco sem saída.

O protesto em Camiri, que fica a cerca de 700 quilômetros a Sudeste de La Paz, começou na quarta-feira passada e sua tática principal é o bloqueio da única estrada asfaltada da região, que liga a cidade de Santa Cruz à Argentina.

“Se o presidente Morales não resolve pessoalmente nossas demandas, vamos tomar o campo petrolífero de Camiri e expulsar a Repsol-YPF”, disse o presidente do comitê de greve de Camiri, Héctor Sánchez, segundo a rádio Erbol.

O jornal La Razión disse que houve tensão em Camiri depois que militares tentaram romper o bloqueio na sexta-feira e entraram em choque com os manifestantes, o que deixou mais de vinte pessoas feridas. Depois que as tropas se retiraram, o bloqueio foi reforçado.

O jornal acrescentou que a delegação governamental, chefiada pelo ministro dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, continuaria em Camiri até resolver o conflito, sem confirmar se Morales iria ao povoado que, no ano passado, também entrou em greve por mais empregos no setor petrolífero.

Camiri pede, entre outras medidas, que o governo assuma o controle total das atividades petrolíferas na região, em especial as da Repsol-YPF e sua filial Andina. Eles querem que a vice-presidência da petroleira estatal boliviana YPFB se instale no local.

O conflito na região, próxima a um gigantesco gasoduto que vai até o Estado de São Paulo, coincide com os crescentes protestos dos agroempresários de Santa Cruz contra um decreto que proíbe provisoriamente as exportações de azeite comestível.

(Reportagem de Carlos Alberto Quiroga)

REUTERS MR DL

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