30 de Setembro de 2008 / às 20:37 / 9 anos atrás

CÂMBIO-Após subir 17% no mês, dólar seguirá volátil em outubro

(Texto reescrito com mais informações)

Por Fabio Gehrke

SÃO PAULO, 30 de setembro (Reuters) - Depois do baque sofrido com o agravamento da crise financeira global, que levou o dólar a acumular em setembro a maior alta mensal em seis anos, a moeda norte-americana deve seguir bastante volátil nas próximas semanas.

Nesta terça-feira, o dólar BRBY caiu 2,95 por cento, fechando a 1,906 real, depois de disparar 6 por cento na véspera. Mesmo com o recuo no dia, o dólar subiu 16,79 por cento em setembro, maior valorização desde setembro de 2002, às vésperas da eleição presidencial daquele ano.

A intensificação da crise de crédito, e o colaspo de diversas instituições financeiras ao redor do mundo, destruiu por definitivo a tendência de queda que o dólar seguia até metade do ano. Até agosto, o dólar recuava mais de 8 por cento. Agora, a moeda acumula uma alta de 7,3 por cento em 2008.

No curto prazo, o mercado cambial vai ficar colado aos movimentos dos mercados globais, esperando principalmente o desfecho do pacote de ajuda de 700 bilhões de dólares nos Estados Unidos e seus efeitos, segundo agentes do mercado.

Para Marcos Forgione, analista da Hencorp Commcor, o futuro da moeda estrangeira está fortemente relacionado à decisão do governo norte-americano sobre o socorro aos mercados financeiros.

“Temos duas situações possíveis. Mas mesmo se aprovado, o pacote não vai ser o suficiente para estancar todos os problemas do mercado; e se não for aprovado, o estresse vai ser grande”, afirmou Forgione apontando que o dólar não deve voltar aos patamares visto antes do estouro da crise no curto prazo.

Mario Paiva, analista de câmbio da Corretora Liquidez, possui avaliação semelhante: “Esse pacote é paliativo para um problema muito maior”.

Segundo o analista, o mercado cambial deve continuar operando com alta volatilidade nos próximos meses.“ O mercado está muito sensível e qualquer notícia é motivo para ele piorar (subir). O mercado está bastante apreensivo.”

Mas o analista faz coro com os que dizem que o Brasil está melhor preparado para enfrentar a crise, e que continua atraindo investidores estrangeiros, principalmente com os altos juros pagos em renda fixa.

“O nosso país está muito mais preparado para receber os solavancos do mercado internacional. É lógico que sofre com a crise mas o país é atraente”, afirmou Paiva, completando que os bancos nacionais não foram contaminados pelo forte “endividamento desordenado” que derrubou, neste mês, bancos dos dois lados do oceano Atlântico.

Por Fabio Gehrke; Edição de Alexandre Caverni

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below