30 de Abril de 2008 / às 21:04 / em 10 anos

ANÁLISE-Grau de investimento renova fôlego para alta do real

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O status de bom pagador deve atrair no curto prazo muitos dólares para o Brasil, aumentando a tendência de valorização do real no momento em que as contas externas do país começam a se deteriorar.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s elevou nesta quarta-feira a nota da dívida soberana do Brasil para “BBB-”, dentro do grau de investimento.

“Isso valoriza de modo geral o país, e com o câmbio não vai ser diferente”, disse Roberto Padovani, estrategista sênior de investimento para a América Latina do banco WestLB do Brasil. “Permite ao país ter acesso a mais fluxos de capital e de investimento.”

Após a decisão, o dólar despencou 2,46 por cento e terminou o dia a 1,663 real. Muitos agentes já vêem como próximo alvo o patamar de 1,60 real --por onde o dólar não passa desde a maxidesvalorização, em janeiro de 1999.

“A direção é clara”, analisou Joel Bogdanski, economista do banco Itaú. “É natural que o Brasil seja recebedor líquido de poupança externa.”

A decisão joga mais um ingrediente em um caldeirão que anunciava bastante volatilidade para o mês de maio.

Após uma longa sequência de valorização do real, a deterioração das transações correntes e da balança comercial começava a pôr em xeque o fôlego da moeda brasileira no longo prazo.

Para Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, o que poderia ser uma boa notícia pode até comprometer ainda mais as contas externas do país.

“Eu acho que veio num momento difícil, porque isso vai facilitar o ingresso e o dólar vai mais para baixo”, afirmou.

“O governo não tem instrumentos para conter uma pressão que force a apreciação da moeda. É uma coisa boa, mas para o Brasil é perigosa”, acrescentou, referindo-se ao impacto sobre as exportações de uma valorização mais aguda do real.

Bogdanski não vê a notícia com tanto alarme.

“Ainda não é preocupante... o próprio mercado tende a ajustar se perceber perigo”, afirmou.

Outras duas agências de classificação de risco, a Moody’s e a Fitch, ainda colocam o Brasil em grau especulativo, a uma nota do grau de investimento.

Reportagem adicional de Daniela Machado

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