October 31, 2007 / 2:39 PM / 11 years ago

Zuanazzi critica Jobim ao deixar presidência da Anac

SÃO PAULO (Reuters) - Desgastado pela crise aérea iniciada há um ano, o engenheiro Milton Zuanazzi anunciou nesta quarta-feira que deixa o cargo de presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A demissão já havia sido adiantada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, na véspera.

Desgastado pela crise aérea iniciada há um ano, o engenheiro Milton Zuanazzi anunciou nesta quarta-feira que deixa o cargo de presidente da Anac. A demissão já havia sido adiantada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. Foto de Zuanazzi em coletiva de imprensa, em Brasília, 31 de outubro. Photo by Jamil Bittar

Zuanazzi, que afirmou que entregará a carta de demissão diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse que está saindo por não concordar com as idéias de Jobim.

Ele passou cerca de duas horas defendendo a agência das acusações de má gestão da crise aérea em uma entrevista coletiva na sede da agência, em Brasília.

Zuanazzi disse que Jobim não respeita a autonomia entre os agentes e acusou o ministro de desinformação sobre o funcionamento de aeroportos.

“Quando o ministro afirma na CPI que no aeroporto de Congonhas, se o DAC existisse o acidente (da TAM) não teria acontecido, é uma absoluta desinformação do histórico do aeroporto.”

Na próxima semana, Jobim, que defendia a saída de Zuanazzi, deve indicar para a presidência da Anac a economista Solange Vieira, titular da recém-criada Secretaria de Aviação Civil. A indicação dela terá de ser encaminhada pela Presidência ao Senado.

Zuanazzi chefiava a agência desde o ano passado. Os quatro demais diretores da agência já caíram e vêm sendo substituídos por pessoas da confiança de Jobim.

A crise aérea teve início após o acidente da Gol, ocorrido em setembro de 2006, em que morreram 154 pessoas. Na sequência, o caos tomou os aeroportos brasileiros com filas e falta de informação aos passageiros. A situação foi creditada, em parte, à atuação dos controladores do tráfego aéreo, que chegaram a realizar uma greve. Em julho, um novo acidente aéreo, desta vez no Aeroporto de Congonhas, colocou em cheque a gestão de todo o sistema aéreo e levou à troca de comandos no ministério da Defesa, na Infraero e na Anac.

Duas CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) foram realizadas para investigar a situação. A da Câmara sugere punições aos pilotos do acidente da Gol e a do Senado, que vota o relatório nesta quarta-feira, pede o indiciamento de 23 pessoas, sendo 21 ligadas à Infraero, a estatal que administra os aeroportos.

Zuanazzi acertou a saída da Anac com o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, por telefone na terça-feira. A interferência de Mares Guia se explica porque o ministro participou da indicação de Zuanazzi para a Anac.

Os dois se aproximaram na época em que Mares Guia ocupou a pasta do Turismo e Zuanazzi, gaúcho de Bom Jesus, era secretário Nacional de Políticas de Turismo do ministério, de 2003 a 2006. Antes, foi secretário do setor no Rio Grande do Sul.

Na segunda-feira, Jobim empossou um novo diretor da Anac, o major-brigadeiro-do-ar Allemander Pereira Filho.

Também já foram aprovados pelo Senado os nomes dos diretores Marcelo Guaranys e Alexandre Barros, que tomarão posse assim que suas nomeações forem publicadas no Diário Oficial da União. Na terça-feira, o presidente em exercício, deputado Arlindo Chinagla (PT-SP), assinou o ato de nomeação desses dois novos dirigentes.

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