January 31, 2008 / 6:46 PM / 11 years ago

Dólar cai no mês, mas segue atento à crise em fevereiro

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em forte baixa nesta quinta-feira, influenciado pelo vencimento de contratos futuros, e garantiu que o mês de crise externa terminasse com o real mais forte do que começou.

Mas isso não significa que o dólar pode passar fevereiro ladeira abaixo. Segundo analistas, a volatilidade e a incerteza com a economia global ainda devem continuar como o principal assunto no mercado de câmbio.

A moeda norte-americana caiu 1,18 por cento nesta sessão, para 1,760 real. Com isso, em janeiro, mesmo com o nervosismo provocado pela possibilidade de uma recessão nos Estados Unidos, o dólar teve baixa de 0,96 por cento.

O medo de uma desaceleração mais séria na maior economia do mundo e o desarranjo dos mercados com o prejuízo dos bancos levaram o banco central dos Estados Unidos a reduzir a taxa básica de juros em duas ocasiões no mês.

As medidas, porém, ainda não tranquilizaram o mercado por completo. Nesta quinta-feira, as principais bolsas norte-americanas se mantiveram instáveis, com baixa pela manhã e alta moderada à tarde.

Esse comportamento vai continuar a impactar o dólar, disse Cristiano Souza, economista do banco ABN Amro.

“A expectativa é que o câmbio fique volátil (no próximo mês). Ele não deve fugir muito desse patamar em que está, entre 1,75 e 1,80 (real).”

A influência pode ser ainda mais relevante por causa da diminuição do superávit comercial e do possível déficit em transações correntes, acrescentou.

“O câmbio é dependente do cenário externo, mas tem uma parte dele que responde à expectativa de fluxo, expectativa de resultado da balança comercial”. Em janeiro, o país registrava saída líquida de 1,648 bilhão de dólares até o dia 24, segundo o Banco Central.

APOSTA NA QUEDA?

Mas há quem veja interesse em uma desvalorização mais aguda do dólar. Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, chama a atenção para a queda dos juros nos Estados Unidos. “Há ambiente bastante favorável para a retomada das operações derivativas de arbitragem”, comentou.

Ele lembrou que, na quarta-feira, os bancos aceitaram quase todo o lote de swap reverso oferecido pelo BC em leilão de rolagem. Como as instituições financeiras só ganham com esse contrato se o dólar cair, Nehme afirma que o apetite indica espaço para a valorização do real.

De fato, as posições montadas no mercado futuro foram, junto com a relativa melhora das bolsas estrangeiras, um dos principais fatores para a queda desta quinta-feira.

Com os estrangeiros e as instituições nacionais vendidas em dólar no futuro, e com os bancos com um montante alto de swap reverso nas mãos, a taxa de câmbio desta quinta-feira —que será usada para liquidação dos contratos futuros— sofreu bastante pressão de queda.

“O mercado está querendo Ptax (taxa média do dólar) baixa”, disse Júlio César Vogeler, operador de câmbio da corretora Didier Levy. Quando o agente está vendido em dólar no futuro, ele lucra com a desvalorização do dólar.

Outros agentes se mostraram céticos, no entanto, com uma pressão definitiva de queda do dólar. Segundo o operador de um grande banco nacional, “é difícil alguém começar a montar posição grande com essa indefinição toda no exterior”.

“O mercado vai continuar cauteloso”, pontuou.

Souza, do ABN, lembra também que a crise externa diminui a disponibilidade de recursos estrangeiros para lucrar com os juros mais altos do Brasil. “Vai depender da aversão ao risco. A gente não sabe qual será o comportamento deles.”

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