31 de Outubro de 2007 / às 20:45 / 10 anos atrás

Dono da Eleva vai se tornar 3o maior acionista da Perdigão

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - O chinês Shan Ban Chum, naturalizado brasileiro, será o terceiro principal acionista da maior indústria de alimentos de capital nacional do país, que surgirá da compra da Eleva Alimentos pela Perdigão .

A operação, pela qual Shan e filhos repassarão a totalidade da participação de controle na Eleva em troca de dinheiro e ações da Perdigão, causará ligeira diluição da fatia de três fundações na principal concorrente da Sadia .

Previ, Petros e Sistel são hoje os três maiores acionistas da Perdigão. Com a emissão de mais ações pela Perdigão --tanto para pagar o empresário Shan quanto para incorporar ações de minoritários da Eleva--, as parcelas das fundações passarão, respectivamente, de 15,68 para 14,16 por cento, de 12,09 para 10,87 por cento, de 5,09 para 4,6 por cento.

Dependendo da adesão dos minoritários da Eleva à operação, a família Shan deterá entre 7,3 e 7,5 por cento da nova Perdigão, da qual a processadora de leite dona da marca Elegê será subsidiária integral. A Eleva, antiga Avipal, que se lançou na Bovespa em 1985, tem apenas 23 por cento das ações em circulação (free-float).

O chinês Shan fundou a empresa brasileira em 1959, depois de ter deixado o país de origem. Originalmente atuava apenas nos segmentos de carne e grãos, mas em 1996 adquiriu a Laticínios CCGL e acabou por tornar-se a maior produtora de leite longa vida da América Latina, com 900 milhões de litros processados por ano.

As ações da Eleva subiram quase 8 por cento nesta quarta-feira, cotadas a 24,75 reais, com volume de 10 milhões de reais, após o anúncio do negócio ocorrido na véspera. A oferta da Perdigão colocou a ação da Eleva em 25,82 reais, representando um prêmio de 12 por cento em dinheiro para controladores e minoritários.

Na avaliação do Banco Fator, o preço pago “não foi caro”. O analista Renato Prado acredita que haverá grandes sinergias operacionais e administrativas, além de diluição de custos fixos em função do ganho de escala das operações.

Executivos de ambas as empresas, que deram entrevista nesta tarde, evitaram fazer projeções sobre o futuro da Perdigão por causa do período de silêncio obrigatório decorrente do anúncio da operação, que inclui oferta de ações.

Afirmaram apenas que vêm poucas sobreposições nas duas operações. Disseram também que foi uma demanda de Shan não receber a totalidade do pagamento em dinheiro porque ele quer deter uma fatia da Perdigão. O empresário deve ter o direito a um assento no Conselho de Administração da empresa, embora isso não esteja determinado no acordo entre as partes.

Para o analista do Fator, essa cadeira no Conselho da Perdigão pode ser benéfica para a empresa por causa da experiência de Shan no segmento de lácteos. “Resta saber até que ponto ele vai ter voz ativa”, disse Prado.

O empresário, que é presidente do Conselho de Administração da Eleva, receberá até dezembro o pagamento em dinheiro de quase 774 milhões de reais. Com um perfil discreto, Shan não compareceu à entrevista sobre a venda da empresa.

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