31 de Outubro de 2007 / às 22:25 / em 10 anos

Petrobras recorrerá de decisão da Justiça a favor da Ceg

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras decidiu recorrer da decisão da Justiça que a fez retomar o fornecimento de gás natural para a distribuidora do Rio de Janeiro Ceg, informou nesta quarta-feira a diretora de Gás e Energia, Graça Silva Foster.

Com a decisão judicial, a Petrobras teve que retomar a remessa de gás para a Ceg e a Ceg-Rio e com isso reduzir o envio do combustível para as térmicas, ocasionando uma redução de geração de energia por elas de 250 MW nesta quarta-feira.

“Vamos recorrer da Ceg porque entendo que temos esse direito”, afirmou Graça.

A Petrobras é a terceira maior geradora de energia do país com parque com capacidade de 4 mil MW. Em contrato com a agência reguladora do setor elétrico, a Aneel, a estatal se comprometeu a fornecer gás para todas as termelétricas necessárias para manter o sistema seguro.

Se a empresa se negar a fornecer o gás, poderá ser multada. Graça informou, porém, que a multa se aplica se o volume não for fornecido durante um espaço de tempo, e não apenas em alguns dias, mas ela não deu detalhes.

A executiva explicou que o volume enviado para a Ceg e a Ceg-Rio está acima do contratado entre as duas companhias, assim como ocorreu também com a Comgás, distribuidora de São Paulo.

Segundo Graça, a Comgás tem recebido 2 milhões de metros cúbicos a mais por dia, assim como a Ceg. Já a Ceg-Rio recebe 400 mil a mais.

“Esse consumo extra está há mais de 12 meses porque nós autorizamos, mas há 15 dias estamos avisando que teria que despachar as usinas térmicas”, disse Graça a jornalistas.

A Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do Brasil, informou nesta quarta-feira que está negociando com um grupo de empresas clientes a substituição do gás natural pelo óleo combustível. [ID:nN31286680]

A Petrobras está revendo os contratos com as distribuidoras de gás de todo o país para torná-los mais flexíveis e enfrentar momentos como o atual, lembrou Graça. Além da flexibilidade, a Petrobras quer também reajustar o preço do gás natural porque considera que o valor está “irreal” em relação ao mercado internacional.

“Querer um contrato inflexível não pode mais, a não ser que a empresa tenha uma grande descoberta de gás. Por enquanto, o gás produzido é consumido”, explicou a executiva sobre a oferta apertada que obriga a Petrobras a oscilar o fornecimento de gás natural para as distribuidoras.

“O custo da produção de petróleo tem sido crescente e o preço do gás foi ficando para trás”, completou. “Esse preço de produção precisa ser renegociado.”

Graça ainda afastou totalmente o risco de desabastecimento de energia elétrica no país, lembrando que a redução dos últimos dias é muito pequena em relação à quantidade de energia gerada pela empresa.

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