31 de Julho de 2008 / às 19:39 / em 9 anos

Juro mantém dólar em baixa em agosto, mas sem força

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O aumento dos juros no Brasil deve manter o dólar abaixo de 1,60 real em agosto, mas a tendência de baixa da moeda não deve repetir a intensidade de ciclos anteriores, disseram analistas nesta quinta-feira. Em julho, a moeda norte-americana teve queda de 2,13 por cento.

“O viés, realmente, é de apreciação (do real)... Mas o real não tem muito fôlego”, disse Roberto Padovani, economista-chefe do banco WestLB.

A alta dos juros é a principal razão apontada para o recuo do dólar, que fechou esta quinta-feira a 1,563 real. Nas últimas três reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic foi elevada de 11,25 por cento para 13 por cento ao ano como parte do combate à alta da inflação.

Com o juro maior, aumenta a remuneração dos investimentos em renda fixa no Brasil, o que atrai estrangeiros para o país.

Segundo a equipe de estratégia global em câmbio do Merrill Lynch, as operações de carry trade --nas quais os investidores tomam dinheiro a juros baixos no exterior e aplicam nos juros altos do Brasil-- devem continuar a manter o real valorizado no semestre.

“A atratividade da taxa é fantástica”, disse Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez.

Esse efeito sobre o câmbio pode estar ocorrendo mesmo com a saída de dólares do país, disse Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora. Para ele, se essas operações continuarem a mostrar força, o dólar pode seguir rumo a 1,50 real.

OLHO NAS CONTAS EXTERNAS

Mas a deterioração das contas externas deve, mais à frente, frear a desvalorização do dólar. No primeiro semestre, o Brasil teve déficit de 17,4 bilhões de dólares nas transações correntes, recorde para o período, com o aumento das remessas de lucros e dividendos.

E “no curto prazo há o fortalecimento do dólar frente às outras moedas”, completou Padovani, em referência à recuperação da divisa no último mês em meio aos sinais de que a economia dos Estados Unidos pode ter evitado uma recessão.

“Resumindo: o câmbio fica onde está, só um pouco para baixo no próximo mês”, disse o economista. Para os analistas do Merrill Lynch, o dólar chega ao final de setembro a 1,55 real.

Nesta quinta-feira, o dólar registrou uma oscilação positiva de 0,06 por cento. A sessão foi marcada por ajustes técnicos em meio à liquidação de contratos futuros em vencimento, mas a queda das bolsas de valores no exterior também interferiu nos negócios.

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