16 de Outubro de 2008 / às 20:05 / em 9 anos

Obama alerta contra excesso de confiança

Por John Whitesides

NOVA YORK (Reuters) - O candidato democrata a presidente dos EUA, Barack Obama, alertou na quinta-feira seus seguidores a evitarem o excesso de otimismo, a 19 dias de uma eleição em que ele abre uma ampla vantagem nas pesquisas.

Obama fez campanha em Nova York e New Hampshire, e McCain foi à Pensilvânia, um dia depois de ambos se enfrentarem no terceiro e último debate, em que o protagonista foi um encanador de Ohio.

Até agora, todos os astros parecem se alinhar a favor de Obama. Ele lidera nas pesquisas nacionais de opinião e também em vários Estados estratégicos para a eleição do dia 4.

Confiante, mas cauteloso, ele disse a seus eleitores em Nova York: “Estamos agora a 19 dias não do final, mas do começo. A quantidade de trabalho que estará envolvida para o próximo presidente será extraordinária”.

Nos mercados de apostas, a expectativa de vitória para Obama é superior a 80 por cento. A agência irlandesa Paddy Power já o declara vencedor, e vai pagar antecipadamente um total de mais de 1,35 milhão de dólares para quem apostou que Obama será o próximo presidente dos EUA.

Mas Obama lembrou - primeiro aos endinheirados doadores num café-da-manhã em Manhattan, e depois a eleitores sob a garoa de Londonderry, em New Hampshire - que em janeiro todos esperavam a sua vitória nas primárias democratas desse Estado, onde no entanto a vencedora foi Hillary Clinton.

“Estamos a 19 dias de mudar este país -- 19 dias. Mas, para quem está ficando convencido, tenho duas palavras para vocês: New Hampshire. Aprendi bem aqui que você não pode se acomodar ou prestar atenção demais às pesquisas”, disse ele no comício.

JOE, CELEBRIDADE POLÍTICA

A nova celebridade política nos EUA -- ao menos por um ou dois dias -- é Joe Wurzelbacher, “o encanador Joe”, que disse a Obama num evento de campanha que pretendia abrir uma pequena empresa em Holland, Ohio, mas que temia os impostos.

Joe foi citado mais de 20 vezes durante o debate, quando ambos os candidatos argumentavam ter a melhor receita para resolver os males econômicos dos EUA e ajudar o encanador.

Wurzelbacher passou a manhã inteira dando entrevistas, mas não declarou voto. Pareceu, no entanto, estar mais inclinado pelo republicano. “McCain apareceu com alguns pontos sólidos, e fiquei bem feliz com isso”, disse ele ao jornal Toledo Blade.

Em comício em Downingtown, Pensilvânia, McCain rapidamente incorporou Wurzelbacher ao seu discurso, argumentando que pequenos empresários, como o encanador Joe, veriam os impostos subirem num governo Obama.

“O senador Obama disse ao Joe que queria espalhar a riqueza. A América não se tornou a maior nação da Terra espalhando a riqueza; nós nos tornamos a maior nação da Terra criando novas riquezas”, disse McCain.

Embora McCain tenha sido mais agressivo no último debate, isso não parece ter muita influência para o resultado da disputa em sua reta final.

Karl Rove, que foi o mentor das duas vitórias eleitorais do presidente George W. Bush, escreveu na quinta-feira no The Wall Street Journal que uma virada de McCain seria “a mais impressionante e improvável desde Harry Truman em 1948”.

“Mas recuar mais de meio século na busca por inspiração não é onde os coordenadores de campanha gostam de estar”, escreveu.

Os dois candidatos voltam a dividir um palco na noite de quinta-feira, quando discursam no Banquete Al Smith, evento benemerente, em homenagem a um ex-governador de Nova York, que é parada obrigatória para os candidatos a presidente.

Reportagem adicional de Andy Sullivan e Jeff Mason

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