July 26, 2017 / 7:21 PM / a year ago

ESTREIAS–"Em Ritmo de Fuga" está entre os filmes que chegam aos cinemas esta semana

SÃO PAULO (Reuters) - Veja um resumo dos principais filmes que estreiam nos cinemas do país nesta semana:

Ansel Elgort em lançamento de "Em Ritmo de Fuga" em Los Angeles 14/6/2017 REUTERS/Mario Anzuoni

“Em Ritmo de Fuga”

A primeira sequência de “Em Ritmo de Fuga” impressiona: um longo plano, envolvendo um assalto a banco, uma escapada e uma espécie de coreografia do protagonista, Baby (Ansel Elgort). Logo de cara, o diretor e roteirista Edgar Wright coloca seu filme num patamar alto. Inevitavelmente, o que vem depois é ladeira abaixo.

Baby é o motorista de uma quadrilha de ladrões refinados, liderados por Doc (Kevin Spacey), com quem o rapaz tem uma dívida. Para saldá-la, dirige o veículo de fuga. Por conta de problemas de audição, seus movimentos precisam ser marcados por música, nos fones que nunca tira dos ouvidos.

A trama – que inclui uma história de amor com Debora (Lily James) – é marcada pela batida das músicas, resultando não bem em um filme, mas numa trilha sonora com imagens ilustrativas.

“Dunkirk”

Pela primeira vez baseando um filme seu em fatos reais, o cineasta inglês Christopher Nolan volta ao básico. Ou seja, escolhe como cenários a terra, o mar e o ar, troca o digital pelo filme, no caso, o 65 mm (e o IMAX), esnoba o 3D e recorre ao mínimo de efeitos digitais para compor o espetáculo realista de “Dunkirk”, que reconstitui um dramático episódio da Segunda Guerra Mundial.

Entre maio e junho de 1940, tropas nazistas encurralaram cerca de 400.000 soldados Aliados, muitos deles britânicos, na praia de Dunquerque, norte da França. A chance de resgate pelo mar era sistematicamente dizimada pelos ataques precisos dos submarinos e aviões alemães. Tudo parecia perdido e a Inglaterra estava a um passo de tornar-se o próximo alvo a cair nas mãos de Hitler.

Recorrendo, mais uma vez, à parceria com o diretor de fotografia suíço Hoyten van Hoytema, Nolan cria para o espectador a sensação de estar dentro dos acontecimentos. E o faz recorrendo a um roteiro, também de sua autoria, em que os diálogos são mínimos e a potência visual e auditiva é elevada ao máximo.

“Love Film Festival”

Luzia (Leandra Leal) é uma roteirista brasileira e Adrián (Manolo Cardona), um ator colombiano que se apaixonam num festival de cinema em Portugal. Ao longo de quase uma década, eles se encontram e desencontram em eventos similares em diversos países, criando uma história de amor.

A partir da ideia da diretora e roteirista Manuela Dias – que divide a direção com outros profissionais –, o filme acompanha as idas e vindas da dupla tendo como força motriz o cinema.

Por meio dessa paixão, a diretora encontra uma forma de comentar o cinema na América Latina, suas conquistas e limitações – Luzia, por exemplo, a certa altura, precisa deixar o cinema de lado para escrever uma novela. Mas o ponto alto do filme é mesmo a interpretação de Leandra, que a cada trabalho se firma como uma das melhores de sua geração.

“O Reencontro”

Duas excepcionais personagens femininas, defendidas por grandes atrizes, garantem o interesse da comédia dramática francesa de Martin Provost. Claire (Catherine Frot) é uma veterana parteira, que está contando os dias para o fim de seu emprego. O hospital tradicional em que trabalha está prestes a tornar-se uma clínica de luxo. Depois de muitos anos sumida da vida de Claire, eis que ressurge Béatrice (Catherine Deneuve), ex-amante de seu pai, retornando em busca dele, ignorando sua morte.

A volta da velha dama desperta os ressentimentos de Claire, que acredita ser Béatrice a culpada pela morte do pai. O reencontro teria tudo para ser breve. Mas não. Béatrice está gravemente doente e não tem ninguém mais no mundo. Essa fragilidade desperta a solidariedade humana de Claire. O relacionamento de duas mulheres assim opostas é inusitado, contraditório e valorizado pela mágica da ficção, que consegue injetar-lhe consistência.

“7 Desejos”

Claire (Joey King) leva uma vida infeliz desde a morte de sua mãe, mas tudo muda quando seu pai (Ryan Phillippe) encontra uma misteriosa caixa chinesa no lixo e dá para ela de presente. O instrumento tem o poder de transformar em realidade tudo o que a garota deseja, porém cobra um preço alto: a vida de uma pessoa que ela ama.

Partindo de uma premissa nada original, o filme dirigido por John R. Leonetti se esmera mais na criatividade para encenar mortes inusitadas do que em qualquer outra coisa – o que faz lembrar a série “Premonição”, mas com situações trágicas menos inventivas.

Os acontecimentos tornam-se cada vez mais extraordinários mas um tanto enfadonhos, porque o longa se limita à mesma dinâmica o tempo todo: desejo, morte, susto, até o inevitável arrependimento final e a tentativa de desfazer os erros quando pode ser tarde demais.

(Por Neusa Barbosa e Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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