July 13, 2018 / 12:00 AM / 2 months ago

EUA e Europa divergem sobre padrões globais para ruído de jatos supersônicos

MONTREAL/CINGAPURA (Reuters) - A pressão norte-americana por novos padrões globais para impulsionar sua indústria de jatos supersônicos enfrenta resistência de países europeus que querem regras rígidas sobre o ruído, segundo documentos e pessoas a par da situação.

Quinze anos após o último voo do Concorde, os reguladores norte-americanos estão avaliando mudanças nas regras para permitir o teste de jatos supersônicos em estágio inicial, em meio a planos para o lançamento de jatos executivos e de passageiros de pequeno porte fabricados nos Estados Unidos até meados dos anos 2020.

Mas a nova indústria pode enfrentar atrasos na agência de aviação das Nações Unidas, onde os Estados Unidos e países europeus - incluindo França, Alemanha e Grã-Bretanha - estão se posicionando na disputa sobre as novas regras de ruído necessárias para os jatos voarem, disseram cinco fontes à Reuters que pediram anonimato para falar sobre as discussões confidenciais.

A disputa se segue a um choque de padrões de ruído na década de 1990, quando a União Europeia queria proibir jatos mais antigos, como o Boeing 727, e Washington ameaçou retaliar proibindo o anglo-francês Concorde.

Esta última rodada coloca as ambições dos EUA de um renascimento dos jatos supersônicos liderados pelas startups norte-americanas Aerion Supersonic, Boom Supersonic e Spike Aerospace contra o receio europeu de ruídos perturbadores dos aviões. A Aerion, apoiada pela Lockheed Martin e GE, é considerada pelas fontes da indústria como a mais avançada nos projetos supersônicos.

A Boom fará sua primeira aparição na feira de aviação inglesa de Farnborough, na semana que vem, com o objetivo de consolidar o renascimento da indústria supersônica, que está lutando para projetar jatos que atendam aos atuais padrões de ruído subsônico devido às restrições do motor.

“A Europa está muito mais preocupada com o barulho (em torno dos aeroportos)”, disse uma fonte da indústria familiarizada com o assunto. “A Europa tem um problema, mas eles não têm motivo para resolvê-lo porque ela não têm indústria que faça pressão para isso.”

Isso é uma reversão das disputas que atrasaram o início dos serviços transatlânticos da Concorde nos anos 70, já que primeiro o Congresso dos EUA e a Autoridade Portuária de Nova York baniram o jato supersônico por causa do barulho. A agência norte-americana de aviação (FAA) proibiu voos supersônicos sobre território norte-americano desde 1973.

Por enquanto, os novos jatos planejam adotar rotas sobre a água, embora a FAA eventualmente irá decidir se permitirá voos sobre terra depois de analisar dados da Nasa em um estudo até 2025. Um porta-voz da FAA não pode comentar imediatamente.

PADRÕES GLOBAIS

Tanto Boeing quanto Airbus têm visões futuristas para viagens aéreas ultra-rápidas.

Mas desde que foi abortado o plano do Sonic Cruiser, avião quase supersônico da Boeing, em 2002, as duas maiores fabricantes de aviões do mundo se concentraram em aeronaves mais lentas e mais econômicas, que permitem às companhias aéreas reduzir os preços das passagens.

Agora, as startups dos EUA estão trabalhando para desenvolver aviões supersônicos mais silenciosos e com maior eficiência de combustível do que o Concorde, voltados a viagens de negócios. As empresas afirmam que os novos supersônicos podem ser economicamente viáveis ​​com o motor certo. Elas também prometem atenuar o famoso estrondo de aviões supersônicos que deprimiu as vendas do Concorde e restringiu suas operações até que a aeronave deixou de operar em 2003 por razões econômicas.

A Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO, na sigla em inglês), com sede em Montreal, que estabelece muitos padrões globais, começou a observar jatos supersônicos, buscando informações técnicas dos fabricantes de aviões.

A ICAO estará então em melhor posição para avaliar as opções para os padrões de ruído e emissões de poluentes, e “quanto tempo o processo deve levar”, disse um porta-voz.

Os países europeus acreditam que os atuais limites de ruído devem ser usados ​​como “diretrizes” para o desenvolvimento de regras de pouso e decolagem, de acordo com um documento apresentado em uma recente reunião do comitê da ICAO e visto pela Reuters.

Os Estados Unidos, ecoando a demanda da indústria, pediram por novos padrões que reflitam “diferenças fundamentais” entre jatos subsônicos e supersônicos, segundo um segundo documento.

“As aeronaves supersônicas são diferentes das aeronaves subsônicas e precisam ser tratadas como tal”, disse Mike Hinderberger, vice-presidente sênior de desenvolvimento de aeronaves da Aerion em uma conferência do setor no mês passado. “Você não pode tentar enquadrar uma aeronave supersônica em um padrão subsônico.”

A Aerion se recusou a comentar mais.

Ainda não está claro como outros países vêem os supersônicos e se a ICAO conseguirá construir um acordo.

Por Allison Lampert em Montreal e Jamie Freed em Cingapura; reportagem adicional de Julia Fioretti em Bruxelas e Mike Stone em Washington

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