January 27, 2020 / 5:50 PM / 4 months ago

Petroleira líbia alerta comunidade internacional sobre impacto de bloqueios ao petróleo

Mustafa Sanalla, presidente do conselho da petroleira líbia NOC 01/07/2019 REUTERS/Leonhard Foeger

LONDRES (Reuters) - O chefe da petroleira estatal da Líbia afirmou nesta segunda-feira que a comunidade internacional se tornará cúmplice do fim do Estado de Direito no país caso tolere o bloqueio que tem sido aplicado à indústria petrolífera líbia.

O bloqueio, que já dura dez dias e é o mais longo em anos, tem mantido fechados campos de produção e portos nas regiões leste e sul da Líbia, fazendo com que o bombeamento de petróleo do país recuasse para 262 mil barris por dia (bpd), contra 1,2 milhão de bpd anteriormente.

O presidente do conselho da National Oil Corp (NOC), Mustafa Sanalla, disse que a produção pode cair para 72 mil bpd se as interrupções continuarem. Ele acrescentou que há esforços em andamento para acabar o bloqueio, mas não soube dizer quando isso poderia ocorrer.

“A comunidade internacional precisa entender que, se recompensar, ou mesmo tolerar, aqueles que violarem a lei na Líbia, será cúmplice do fim do Estado de Direito em nosso país... E isso significa mais corrupção, mais crime, mais injustiça e mais pobreza”, afirmou Sanalla em discurso no centro de estudos Chatham House, em Londres.

O bloqueio é parte de um conflito entre as forças do leste do país, leais ao comandante militar Khalifa Haftar, e forças alinhadas ao governo reconhecido internacionalmente, sediado na capital Trípoli.

Haftar, que controla a maior parte dos campos e portos de petróleo da Líbia, vem estabelecendo desde abril uma ofensiva militar para tomar o controle de Trípoli.

A NOC disse que o bloqueio foi ordenado pelas forças de Haftar, mas apoiadores do comandante têm procurado retratar a paralisação como resultado de pressão popular.

Sanalla afirmou ainda que os efeitos técnicos e ambientais dos bloqueios podem ser desastrosos, ao corroer os oleodutos, o que poderia causar vazamentos.

Reportagem adicional de Aidan Lewis

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