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XP prevê fim do Itaú Personnalité em 3 anos se seguir recebendo migração de recursos

SÃO PAULO (Reuters) - A XP Investimentos recebe todo dia cerca de 150 milhões de reais de recursos antes investidos com o Itaú Personnalité, que pode desaparecer se esse ritmo de mantiver, disse um sócio da XP, pondo mais combustível na recente disputa entre as empresas parceiras.

REUTERS/Amanda Perobelli

“O Itaú Personnalité pode acabar em três anos, considerando a continuação do ritmo de migração de recursos”, disse Gabriel Leal, sócio e chefe da área comercial e de relacionamento com clientes da XP, durante teleconferência com jornalistas nesta quinta-feira.

As declarações foram feitas após o Itaú Unibanco, que tem 49,9% da XP, ter iniciado nesta semana uma campanha publicitária que critica o modelo de negócios de plataformas de investimentos baseado em agentes autônomos, do qual a XP é o maior expoente no Brasil.

“Por que o Itaú não acaba com conflitos internos antes de atacar competidores?”, questionou Leal. “O Itaú foi muito infeliz com a campanha, deu um grande tiro no pé”, dizendo que o banco “denegriu” a imagem de cerca de 10 mil agentes autônomos no Brasil.

Para o executivo da XP, o Itaú agiu com hipocrisia ao apontar conflitos de interesse dos agentes autônomos, uma vez que também tem conflitos internos não resolvidos com vários dos próprios produtos de investimentos do banco, como os de fundos de previdência de baixo risco, que cobram taxa de administração de até 3,5% ao ano, acima da Selic atual de 2,25%.

Leal disse ainda que “se Itaú estiver desconfortável com investimento na XP, deveria repensar”.

Acrescentando ainda mais tensão à disputa, a XP publicou um anúncio a clientes prometendo dar como brinde um colete com a marca da plataforma.

“A cada colete presenteado, doaremos um cobertor para proteger quem precisa através das nossas ONGs parceiras”, diz trecho do anúncio.

Em outra transmissão quase simultânea pela internet, executivos do Itaú afirmaram que a campanha publicitária não teve um alvo específico e que a participação que tem na XP não interfere na plataforma de investimento do próprio banco.

O embate ganha corpo no momento em que a taxa básica de juros na mínima histórica no país amplia a concorrência de bancos e plataformas autônomas por recursos de investidores.

Reportagem adicional de Tatiana Bautzer e Carolina Mandl

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