16 de Outubro de 2014 / às 20:13 / 3 anos atrás

Campanha de Dilma reforça desconstrução de Aécio, que atacará economia e corrupção

BRASÍLIA (Reuters) - A dez dias das eleições e com a disputa cada vez mais acirrada, a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) vai reforçar a aposta na desconstrução da imagem de Aécio Neves (PSDB), mas os tucanos acreditam que essa estratégia tem limitações e pode ter efeito reverso para a petista.

Presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, e candidato Aécio Neves (PSDB) durante debate em emissora de TV no Rio de Janeiro. 2/10/2014 REUTERS/Ricardo Moraes

Na campanha petista, acredita-se que os eleitores não conhecem Aécio, que teria sido protegido pela mídia mineira enquanto era governador, e a aposta está em explorar polêmicas e escândalos locais do passado para ajudar a tirar votos do tucano.

Por isso, Dilma manterá o ataque a supostos desvios éticos de Aécio no debate na rede de TV SBT, desta quinta-feira. “O Aécio é uma criança protegida desde cedo”, disse uma fonte do comitê de Dilma à Reuters, sob condição de anonimato.

Essa estratégia já seria usada no primeiro turno, segundo a fonte, mas como a polarização entre PT e PSDB não ocorreu após a ascensão da candidata derrotada do PSB, Marina Silva, esse arsenal ficou guardado para o segundo turno.

Junto a isso, a campanha petista também vai manter o discurso de luta de classes, tentando mostrar que a candidatura do PSDB representa apenas o interesse da elite. “Nós podemos ganhar mais votos dos indecisos, mas também precisamos pegar um pouco do eleitorado que está com ele”, disse a fonte.

Os petistas acreditam nessa fórmula para tirar o favoritismo de Aécio no segundo turno e vencer a eleição, mas ainda temem o impacto dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa à Justiça Federal detalhando um suposto esquema de corrupção na estatal que teria abastecido os cofres do PT, PP e PMDB.

Por enquanto, as pesquisas mais recentes não demonstraram efeito do depoimento no eleitorado de Dilma no segundo turno, mas não há certeza na campanha petista de que essa página está virada.

Os levantamentos Datafolha e Ibope divulgados na quarta-feira mostraram estabilidade na corrida presidencial, com ambos os institutos apontando o tucano com 51 por cento dos votos válidos contra 49 por cento para Dilma, em empate técnico, repetindo o resultado das pesquisas feitas na semana passada.

RISCOS

A aposta do PT de atacar pessoalmente Aécio, entretanto, tem efeito limitado, na avaliação do deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), que se integrou ao núcleo decisório da campanha tucana no segundo turno.

“Quando se vai para uma campanha agressiva, tem o risco de o tiro sair pela culatra”, afirmou à Reuters. “O povo já está de saco cheio dos políticos, se a campanha for para o lodaçal pode aumentar a rejeição.”

Pestana disse ainda que a campanha tucana continuará usando como estratégia as críticas à economia, “que deixa o país à beira do abismo”. A ideia é também explorar a corrupção do governo. “Que atingiu inclusive a maior empresa do país”, disse o deputado, apontando os erros da atual gestão “como o aparelhamento da máquina por petistas”.

A campanha vai seguir mostrando ainda que Aécio tem liderança para fazer as mudanças que o Brasil precisa.

“Não adianta ficar mudando de estratégia como biruta de aeroporto”, argumentou. “Eles querem levar a campanha para a lama, mas nós não vamos aceitar isso.”

Os tucanos estão muito preocupados também com “os boatos” que estão sendo espalhados de que Aécio acabaria com o Bolsa Família e reduziria direitos trabalhistas. Pestana disse que isso também causa dano entre o eleitorado tucano.

Apesar das pesquisas ainda não detectarem um efeito do depoimento de Costa entre os eleitores de Dilma, Pestana acredita que, se bem usada no programa de TV, essa denúncia ainda “pode tirar um pouquinho” de votos da petista.

Segundo ele, há na campanha aqueles que gostariam que Aécio fosse um pouco mais incisivo na sua defesa pessoal, para que a campanha negativa do PT não se alastre entre seus eleitores, mas ainda não há decisão nesse sentido.

Reportagem de Jeferson Ribeiro

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