May 10, 2019 / 3:39 PM / 7 months ago

Pesquisadora de câncer argentina recorre a game show para arrecadar fundos

Por Miguel Lo Bianco e Cassandra Garrison

Pesquisadora argentina Marina Simian posa para foto em Buenos Aires 09/05/2019 REUTERS/Agustin Marcarian

BUENOS AIRES (Reuters) - Diante de uma crise econômica crescente e de protestos causados por cortes orçamentários para pesquisas na Argentina, uma cientista encontrou uma nova maneira de arrecadar fundos: ganhar dinheiro em um game show na televisão.

Marina Simian, bióloga do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica, participou da versão local do programa “Quem Quer ser um Milionário” dizendo que precisa de dinheiro para sua pesquisa sobre câncer.

Chefe de um laboratório de nanobiologia que pesquisa tratamentos oncológicos para câncer de mama e outras formas da doença, Marina usou seu intelecto na competição e conseguiu o equivalente a 11 mil dólares para pagar os suprimentos de seu laboratório.

“Não sou uma heroína. Usei uma estratégia que foi um tanto criativa ou diferente para conseguir financiamento para meu grupo de trabalho”, explicou Marina em uma entrevista à Universidade Nacional de San Martín, em Buenos Aires.

O financiamento governamental se tornou menos confiável para pesquisas científicas no país, abalado por uma recessão, uma inflação galopante e uma moeda em queda. A taxa de câmbio menos vantajosa também minou o poder de compra, especialmente de equipamentos importados em dólares, uma prática comum devido à disponibilidade maior e aos preços menores.

Jorge Aguado, uma autoridade de ciência e tecnologia graduada do governo, disse à Reuters que os orçamentos para pesquisas aumentaram desde que o presidente Mauricio Macri tomou posse, em 2015, mas reconheceu que a volatilidade econômica provocou atrasos na distribuição dos fundos.

Ele acrescentou que menos cientistas argentinos estão voltando ao país depois de realizarem pesquisas no exterior – de 90 por cento em 2013 para só 41 por cento no ano passado –, uma perda de talentos em potencial.

A Argentina tem três Prêmios Nobel em ciência, mas pesquisadores lamentam há tempos a escassez de recursos da área.

A retenção dos fundos foi a razão de Marina ter se arriscado na noite de terça-feira ao vivo diante dos olhos da nação.

Ela comanda um laboratório onde ela e outros pesquisadores estudam a resistência a remédios contra o câncer. O projeto recebeu fundos em 2017, mas Marina disse que o dinheiro está entrando a conta-gotas e que no ano passado só recebeu metade do que deveria.

Marina, que abordou as dificuldades atuais durante sua participação no programa, disse esperar que sua estreia na TV atraia mais atenção para o trabalho sendo feito pelos pesquisadores.

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