July 10, 2019 / 1:08 PM / 4 months ago

Mandado de prisão contra ex-líder das Farc abala acordo de paz da Colômbia

BOGOTÁ (Reuters) - A Suprema Corte da Colômbia ordenou a prisão de um ex-comandante rebelde das Farc que se tornou parlamentar na terça-feira por não ter comparecido a um depoimento sobre acusações de tráfico de drogas dos Estados Unidos, em um novo golpe no acordo de paz histórico do país.

Ex-comandante das Farc Jesús Santrich no Congresso colombiano, em Bogotá 11/06/2019 REUTERS/Andres Torres Galeano

Seuxis Paucias Hernández, conhecido na Colômbia pelo nome de guerra Jesús Santrich, é um dos 10 ex-comandantes das Farc que se tornaram parlamentares em cumprimento aos termos do acordo de paz de 2016.

O pacto, assinado pelo ex-presidente Juan Manuel Santos, visou encerrar um conflito de meio século que matou 260 mil pessoas, permitindo que os ex-rebeldes marxistas entrassem na política e se reintegrassem à sociedade.

Mas, no ano passado, autoridades norte-americanas pediram a extradição de Hernández acusando-o de ajudar a contrabandear 10 toneladas de cocaína aos EUA em 2017. Hernández, de 52 anos, negou as acusações, dizendo serem parte de uma conspiração.

Ele foi intimado a comparecer a um tribunal na terça-feira para ajudar a determinar se ele deveria ser detido enquanto sua extradição é analisada. Mas somente seu advogado compareceu, dizendo não ter ideia do paradeiro do cliente.

O presidente da Colômbia, Iván Duque, elogiou a corte por ordenar a captura de Hernández. “Esta é a decisão esperada por todos os colombianos que estão revoltados com este espetáculo de afronta à Justiça”, disse ele em comentários transmitidos pela televisão.

O desaparecimento de Hernández pode render apoio para Duque adotar uma postura mais rígida com as Farc. Muitos colombianos acham que o acordo de paz foi muito leniente com os ex-rebeldes, e Duque fez campanha prometendo modificá-lo.

Hernández desapareceu no dia 30 de junho, quando as autoridades dizem que ele descartou seus guarda-costas em uma área de reincorporação de ex-combatentes próxima da fronteira com a Venezuela. Ele não foi visto em público desde então.

Hoje o partido político das Farc só tem oito parlamentares na ativa. Outro ex-comandante e parlamentar, Luciano Marin, de codinome Iván Márquez, desapareceu no ano passado depois que seu sobrinho foi preso e levado para os EUA para cooperar com investigadores de tráfico de drogas.

Agora uma corte especial criada para supervisionar o acordo de paz está investigando se Marin e outros ex-comandantes das Farc estão mantendo seus compromissos.

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