27 de Junho de 2012 / às 18:08 / em 5 anos

Franco expõe ao Congresso plano de governo do Paraguai

Por Daniela Desantis e Didier Cristaldo

O recém-nomeado presidente paraguaio, Federico Franco (centro), senta-se entre o presidente da Câmara, Victor Bogado (esquerda), e o presidente do Senado, Jorge Oviedo Mato (direita), enquanto sua esposa e parlamentar, Emilia Alfaro (direita, frente), fala com colegas durante uma reunião no Congresso em Assunção. 27/06/2012 REUTERS/Marcos Brindicci

ASSUNÇÃO, 27 Jun (Reuters) - O presidente paraguaio, Federico Franco, apresentou nesta quarta-feira seu plano de governo ao Congresso em busca de apoio financeiro para os próximos 14 meses de gestão, após assumir o poder no lugar do destituído Fernando Lugo, com o Paraguai isolado diplomaticamente pelos vizinhos.

Franco, um médico liberal que foi eleito como vice-presidente há quatro anos, assumiu a Presidência após o rápido processo de impeachment de Lugo por mau desempenho de suas funções na sexta-feira.

Vários governos da região se recusaram a reconhecer o novo presidente porque consideram que Lugo não teve garantias suficientes em seu julgamento político no Congresso, que lhe deus apenas duas horas para a sua defesa.

Franco visitou líderes militares na sua qualidade de comandante-em-chefe das Forças Armadas e ordenou mudanças no comando do Exército, da Marinha e no Regimento da Escolta Presidencial.

Também se reuniu com autoridades da Câmara dos Deputados e do Senado junto à sua recém nomeada equipe econômica.

Em discurso sereno e amigável com o mercado, ele pediu a aprovação de créditos de organismos internacionais para 480 milhões de dólares considerados vitais para financiar o orçamento de 2012 e estimular a economia, que neste ano deve se contrair 1,5 por cento, segundo dados oficiais.

Além disso, pediu aos parlamentares apoio para a instalação de uma fábrica de alumínio da multinacional Rio Tinto Alcan com um investimento de 3,5 bilhões de dólares e anunciou a negociação de uma dívida com bancos europeus para liberar as reservas internacionais do país de eventuais embargos.

O novo presidente também solicitou que o orçamento de 2013 não contenha aumentos nos gastos correntes e que se complete o quórum no Banco Central com a nomeação de dois diretores cujos cargos estão vazios.

Os parlamentares se comprometeram perante Franco a nomear rapidamente um vice-presidente, disse o deputado Ramón Gómez a jornalistas.

A Constituição prevê que o Congresso deve nomear um vice-presidente se a mudança de governo ocorrer na parte final do mandato, que se estende até agosto de 2013.

Franco disse que sua prioridade seria “arrumar a casa” apesar das críticas dos países da região, muitos dos quais acreditam que ocorreu no Paraguai uma quebra democrática, e do próprio Lugo, que mantém reuniões constantes com seus colegas em um escritório do partido.

O ex-bispo disse na terça-feira, em entrevista à Reuters, que “só um milagre” poderia levá-lo de volta ao poder. Pouco antes, ele sugeriu que poderia ser um candidato na lista de senadores da coalizão esquerdista Frente Guasu nas eleições de abril do próximo ano.

MISSÃO DA OEA

O Paraguai foi suspenso de participar da cúpula do Mercosul -bloco que o país integra com Argentina, Brasil e Uruguai-, que se reunirá na sexta-feira em Mendoza, e a Organização dos Estados Americanos (OEA) decidiu enviar uma missão para investigar o ocorrido.

O chanceler paraguaio, José Félix Fernández Estigarribia, disse que a missão da OEA chegaria no domingo.

“Aqui não existem campos de concentração ocultos. Deixe-os vir e revisar o que eles quiserem. Têm o máximo respeito das autoridades paraguaias”, afirmou o ministro a uma rádio local.

Lugo anunciou manifestações pacíficas contra a sua deposição, principalmente no interior, onde tem uma base de apoio forte. Mas as manifestações não estavam lotadas e na capital, Assunção, tudo transcorria conforme um dia normal.

Cerca de 2.000 pessoas, principalmente camponeses, protestaram na Cidade do Leste, na fronteira com o Brasil, enquanto centenas saíram às estradas dos departamentos de Concepción, em San Pedro e Caazapá, com faixas de apoio ao presidente destituído e bandeiras paraguaiais.

Na capital, Assunção, o dia transcorria normalmente.

“As pessoas estão confusas em função do que aconteceu. Não estava entre as prioridades do público entrevistado que Lugo sairia do poder”, disse à Reuters Enrique Chase, que dirige a consultoria Instituto de Comunicación y Arte (ICA).

Segundo Chase, a percepção era de que Lugo estava fazendo uma boa gestão no campo econômico, mas não politicamente. “Ele teve mal-entendidos no manuseio das negociações com seu principal aliado, o Partido Liberal. Ele perdeu a bola”, disse.

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