6 de Setembro de 2012 / às 14:07 / em 5 anos

Montadoras de veículos têm agosto recorde com incentivos

SÃO PAULO (Reuters) - A produção de veículos do Brasil em agosto confirmou expectativas e foi a maior da história do setor no país, impulsionada por venda também recorde que reduziu estoques do setor, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela associação de montadoras, Anfavea.

Número de veículos montados em agosto chegou a 392,3 mil, 10,6 por cento a mais que no mesmo mês do ano passado. 02/08/2012 REUTERS/Rodolfo Buhrer

O volume montado em agosto somou 329,3 mil veículos, superando o recorde de 326,2 mil unidades de agosto de 2011. Na comparação com julho, a produção cresceu 10,6 por cento e sobre o mesmo mês do ano passado houve alta de 1 por cento.

No acumulado de janeiro a agosto, a indústria automotiva registra produção de 2,18 milhões de veículos, 7,2 por cento abaixo do produzido um ano antes, diante de um primeiro semestre em que o setor patinou antes do governo adotar medidas de incentivo às vendas, com redução de imposto e apoio ao crédito.

Apesar disso, a Anfavea manteve sua expectativa de crescimento de 2 por cento na produção este ano, para 3,475 milhões de unidades.

Enquanto isso, as vendas, impulsionadas pela expectativa dos consumidores com o fim do desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que acabou sendo renovado pelo governo até o fim de outubro, cresceram 15,3 por cento sobre julho, para 420,1 mil unidades, acima do recorde de 381,6 mil de dezembro de 2010.

O desempenho de agosto, o mês com mais dias úteis do ano, elevou o total vendido no ano para 2,5 milhões de unidades, 5,5 por cento a mais que no mesmo período de 2011. O crescimento está perto da estimativa da Anfavea, de expansão nas vendas no país entre 4 a 5 por cento, para 3,77 milhões a 3,81 milhões de veículos.

“As vendas no ano devem ficar mais perto de 5 do que de 4 por cento. Ainda é cedo para saber se poderá ficar acima de 5 por cento”, disse o presidente da Anfavea e do grupo Fiat para América Latina, Cledorvino Belini, a jornalistas.

Segundo ele, a tendência é que setembro apresente queda nas vendas na comparação com agosto em função de um menor período de licenciamentos. “Setembro tem só 19 dias úteis, são 20 por cento menos dias de comercialização ante agosto”, disse Belini.

Mas em outubro deve haver nova alta mensal, de modo que “as vendas se comportem na média dos últimos 3 meses, de 16.900 veículos por dia útil”, afirmou o executivo.

O total de estoques do setor terminou agosto em queda de 19 por cento, a 266.223 veículos, equivalente a 19 dias de vendas ante 27 dias em julho, segundo a Anfavea.

A Fiat liderou as vendas no mês passado ao registrar emplacamentos de 98.211 automóveis e comerciais leves, alta de 16,7 por cento sobre julho. A Volkswagen apurou vendas de 89.351 unidades, 13,5 por cento maiores em relação ao mês anterior, seguida pela General Motors com 75.872 emplacamentos, crescimento mensal de 28 por cento.

A Ford viu as vendas crescerem 4,8 por cento ante julho, ao comercializar 31.079 automóveis e comerciais leves em agosto. Enquanto isso, a Renault se aproximou da montadora norte-americana, vendendo 27.904 unidades, alta mensal de 21,7 por cento.

CAMINHÕES

Isoladamente, a produção de caminhões em agosto somou 12.518 unidades, praticamente estável ante julho e 44,6 por cento menor que em agosto de 2011.

No acumulado até agosto, o segmento registra tombo de 40,2 por cento na comparação anual, para 87.943 mil unidades, em meio à fraqueza da economia e à forte antecipação de compras de 2011 que ocorreu antes da mudança no regime de emissões do país. A alteração obrigou a produção de veículos menos poluentes, mas mais caros a partir deste ano.

Porém, o setor está “otimista”, segundo Belini, depois que o governo anunciou no fim de agosto medidas de estímulo às vendas de caminhões e vagões.

Entre as ações tomadas estão a redução de juros do BNDES para financiamento de caminhões de 5,5 para 2,5 por cento ao ano, por meio do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), e depreciação acelerada de cinco anos para um ano, dos veículos comprados até 31 de dezembro. O mecanismo permite redução de impostos.

“Isso é medida de alto impacto e até o final do ano deveremos ter crescimento de vendas (...) Além disso, o aumento da atividade econômica vai automaticamente impulsionar as vendas (de caminhões)”, disse Belini, evitando fazer projeções específicas.

Segundo ele, o estoque de caminhões não é alto, mas o problema é “falta de encomenda”.

Por Alberto Alerigi Jr.

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