4 de Outubro de 2012 / às 17:23 / em 5 anos

Freixo colhe bom capital político mesmo se não chegar ao 2o turno no Rio

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 4 Out (Reuters) - O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), segundo colocado nas pesquisas de opinião para a prefeitura do Rio de Janeiro, sairá da disputa como um “virtual vencedor” e dono de um capital político que o credencia para futuros pleitos.

Cientistas políticos avaliam que mesmo sem chegar ao segundo turno --o prefeito Eduardo Paes (PMDB) deve ser reeleito já no próximo domingo--, Freixo congrega um setor órfão da esquerda na cidade, parte do eleitorado que sempre votou no PT, e ainda pode alçar o PSOL a principal partido de oposição na região.

Freixo --que militou no PT durante cerca de 20 anos e se notabilizou no PSOL ao liderar uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que ficou conhecida como CPI das Milícias e teve como alvo grupos paramilitares liderados por políticos-- tinha 10 por cento das intenções de voto em julho, segundo o Datafolha.

A atuação na CPI da Assembleia Legislativa fluminense lhe deu notoriedade nacional ao inspirar um personagem no filme “Tropa de Elite 2”.

Na sondagem fechada na quarta-feira, o deputado aparece com o dobro de votos dos adversários, deixando bem para trás nomes e partidos de maior projeção e história no Rio de Janeiro. Paes --que encabeça uma coligação de 20 partidos, que inclui o PT-- mantém a liderança com 57 por cento.

“O Freixo é o segundo vencedor da eleição municipal”, ponderou o cientista político e professor da PUC-Rio César Romero.

“O maior vencedor é, além do Paes, o projeto político do governador Sérgio Cabral que já se reelegeu uma vez e está reelegendo o prefeito. Garante a hegemonia no Rio de Janeiro por ao menos dez anos”, acrescentou, referindo-se à primeira eleição de Cabral, em 2006, e ao fim do segundo mandato de Paes, em 2016.

Logo no começo das eleições, esperava-se um disputa entre o atual prefeito e o deputado federal Rodrigo Maia (DEM), filho de César Maia, prefeito por três vezes.

A vice na chapa de Maia, a deputada estadual, Clarissa Garotinho (PR), filha dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho parecia dar ainda mais força a chapa, mas não funcionou. Rodrigo Maia aparece no último Datafolha com 3 por cento, enquanto Otávio Leite (PSDB) tem apenas 2 por cento.

A disputa de Freixo com Paes está longe de ser de igual para igual. Na TV, o atual prefeito é dono de 16 minutos na propaganda eleitoral no rádio e na TV, garantidos pela ampla coligação, e Freixo tem menos de 2 minutos.

Como prefeito, Paes também conta com a boa avaliação dos cariocas, 49 por cento da cento da população considerou a administração municipal ótima ou boa, segundo pesquisa Ibope no início de setembro.

Além disso, o prefeito está amparado por investimentos destinados aos grandes eventos que o Rio de Janeiro vai sediar nos próximos anos --espcialmente Copa do Mundo, em 2014, e Olimpíada, em 2016-- e pela tríplice aliança entre governo federal, estadual e municipal em torno do seu nome.

“O PT nacional reconhece a liderança do PMDB de Paes e Cabral no Rio de Janeiro, ao passo que o PMDB regional reconhece a liderança do PT em nível nacional, o que torna a situação do Freixo mais delicada”, avaliou Romero.

Mas o cientista político faz uma ponderação sobre o desempenho de Freixo. Para ele, o resultado que o deputado vem mostrando nas pesquisas está em linha com o de outros candidatos de esquerda na capital fluminense.

“É um desempenho importante, mas não chega a surpreender até porque em números é um desempenho parecido com os de candidatos de esquerda nas últimas eleições. O resumo é que há uma setor de esquerda na cidade que não concorda com a política de alianças”, disse Romero.

CAPITAL PRÓPRIO

Se na eleição de 2008, a passagem de Paes e do ex-deputado federal pelo PV Fernando Gabeira foi decidida na reta final, desta vez faltou um terceiro candidato competitivo para forçar o segundo turno.

Há quatro anos, o terceiro colocado, o atual Ministro da Pesca, Marcelo Crivella, teve quase 20 por cento do votos concorrendo pelo PRB.

“Se tivéssemos adversário com votação mais forte nos ajudaria a chegar ao segundo turno”, disse Freixo à Reuters. “Essa nossa campanha é vitoriosa independentemente do resultado eleitoral e isso não quer dizer que a gente não queira vencer nas urnas.”

Ele acredita que tão importante quanto o resultado das urnas, é ascensão regional do PSOL, que passa a se tornar a principal força local de oposição e o principal partido de esquerda do Estado.

“O PSOL tem apenas sete anos e o partido sai dessa eleição como principal referencia da esquerda e com boa bancada”, disse o parlamentar ao apostar em três ou quatro vereadores eleitos para a Câmara Municipal. “Vamos lutar para reunir movimentos sociais, populares e fortalecer a esquerda.”

Para Romero, no entanto, o capital político acumulado na campanha é do próprio candidato, sem que isso necessariamente beneficie o PSOL.

“O Freixo sai da eleição como o principal opositor de Paes... mas não sei se o partido também”, disse.

“Marina Silva teve 30 por cento dos votos na eleição presidencial no Rio de Janeiro e hoje está sem partido. Heloísa Helena foi bem no Rio em 2006 e hoje só consegue um cargo de vereadora em Maceió. O cacife é dele”, ressaltou o cientista político.

Com reportagem adicional de Maria Pia Palermo

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