14 de Março de 2013 / às 16:03 / em 5 anos

Vendas no varejo iniciam 2013 com crescimento

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 14 Mar (Reuters) - As vendas no comércio varejista brasileiro mostraram recuperação no início deste ano, com destaque para equipamento e material para escritório, em mais um sinal de retomada da economia, ao mesmo tempo que mantêm vivas as preocupações com a inflação.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas no varejo registrarem alta de 0,6 por cento em janeiro ante dezembro, depois de caírem 0,4 por cento no último mês do ano passado sobre novembro (segundo dados revisados).

O resultado ficou um pouco acima do esperado pelo mercado. Analistas ouvidos pela Reuters previam que as vendas no varejo subiriam 0,4 por cento no período, de acordo com a mediana de 23 economistas.

“A conjuntura econômica para o comércio ainda é muito favorável com aumento da renda, massa salarial, estabilidade de emprego, preços sob controle, crédito generoso e taxa Selic baixa”, disse o economista do IBGE, Reinaldo Pereira.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve avanço de 5,9 por cento, ante expectativa do mercado de alta de 5,5 por cento. Em dezembro, o crescimento nessa comparação tinha sido de 5,0 por cento.

“Esse resultado, em um mês geralmente fraco, demonstra que a estratégia do governo de manter as linhas de crédito bastante aquecidas tem surtido efeito. E demonstra que a estrutura de crescimento ainda deve persistir este ano apoiada no consumo”, avaliou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

ESCRITÓRIOS E HIPERMERCADOS

Segundo o IBGE, seis das oito atividades pesquisadas tiveram resultados positivos no volume de vendas na comparação mensal, com grande destaque para Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com avanço de 18,5 por cento.

O segmento de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou crescimento de 1,4 por cento em janeiro, depois de recuar 0,1 por cento em dezembro. Artigos farmacêuticos e perfumaria também melhoraram o desempenho no período, passando de queda de 2,3 por cento em dezembro para alta de 3,1 por cento em janeiro.

“A inflação mais alta tem sido um fator inibidor de compras em supermercados, mas como há um aumento na renda e estabilidade no emprego isso acaba sendo compensado”, destacou Pereira, do IBGE.

Os dois únicos recuos em janeiro sobre dezembro foram registrados nas atividades de Móveis e eletrodomésticos (-2,6 por cento) e Tecidos, vestuário e calçados (-0,4 por cento).

Na comparação anual, ainda segundo o IBGE, todas as atividades tiveram resultados positivos, com destaque para a alta de 3,4 por cento para Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que exerceu o maior impacto, de 30 por cento, sobre a taxa.

O setor varejista deve ganhar mais impulso agora com a desoneração dos tributos federais que incidem sobre os produtos da cesta básica. O movimento também ajuda a reduzir a pressão inflacionária que vem preocupando neste início de ano.

Mas apesar de considerar o resultado de janeiro animador, inclusive com a perspectiva de ajudar no retorno dos investimentos, Agostini, da Austin Rating, destaca que isso mantém a preocupação de que a inflação ficará acima de 5 por cento neste ano, mantendo o Banco Central em alerta.

Nesta quinta-feira, na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC piorou a perspectiva de inflação para este e para o próximo ano e afirmou que a política monetária deve ser conduzida com cautela diante das incertezas que permanecem.

O bom resultado das vendas no varejo soma-se à alta de 2,5 por cento da produção industrial em janeiro --maior expansão mensal em quase três anos-- para ampliar as expectativas de que a economia começou 2013 em recuperação.

Em janeiro, segundo o IBGE, a receita nominal das vendas varejistas subiu 1,3 por cento ante dezembro, oitavo mês consecutivo de crescimento, com alta de 12,4 por cento na comparação com janeiro de 2012.

Entretanto, o economista da Saga Capital Gustavo Mendonça, mostrou-se mais cauteloso com o impacto desse resultado sobre as perspectivas de crescimento.

“O consumo não começou o ano com o tipo de intensidade que a maioria dos analistas e o próprio governo esperavam. Os dados mostram que a recuperação ainda é bastante gradual”, disse ele.

“Os indicadores industriais preliminares que temos para fevereiro mostram que foi um mês fraco, então ainda precisamos ficar cautelosos sobre a recuperação da economia brasileira.”

VAREJO AMPLIADO

As vendas do comércio varejista ampliado ---que inclui o setor automotivo e material de construção-- registraram crescimento de 0,3 por cento em janeiro ante dezembro, depois de terem avançado 0,8 por cento no período anterior.

O resultado de agora foi pressionado pela queda de 1,2 por cento no segmento de Veículos e motos, partes e peças, depois de registrar alta mensal de 3,3 por cento no mês anterior.

A desaceleração da alta das vendas de Material de Construção para 1,3 por cento em janeiro também pesou, depois de terem crescido 3,4 por cento em dezembro.

Para este ano, o mercado aponta crescimento de 3,10 por cento do PIB, com expansão de 3 por cento da produção industrial.

Reportagem adicional de Diogo Ferreira Gomes, no Rio de Janeiro, e Asher Levine, em São Paulo

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