15 de Maio de 2013 / às 12:06 / em 5 anos

Vendas no varejo brasileiro caem 0,2% no 1º tri; inflação pesa

Por Walter Brandimarte e Camila Moreira

Mulher olha roupas em loja no Rio de Janeiro, em novembro de 2012. As vendas no varejo brasileiro caíram 0,1 por cento em março ante fevereiro, e registraram elevação de 4,5 por cento em relação a igual mês de 2012, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 30/11/2012 REUTERS/Sergio Moraes

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 15 Mai (Reuters) - As vendas no varejo brasileiro caíram 0,1 por cento em março ante fevereiro, um pouco melhor do que o esperado mas ainda afetadas pelo setor de supermercados, fechando o primeiro trimestre com queda de 0,2 por cento sobre o período imediatamente anterior.

Trata-se da primeira contração trimestral na margem desde o quarto trimestre de 2008 (-0,5 por cento), mostrando que a economia ainda se arrastou no início deste ano e pode levar a estimativas menores de expansão da atividade para este ano.

Na comparação com março de 2012, as vendas subiram 4,5 por cento, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Analistas ouvidos pela Reuters previam que o volume de vendas cairia 0,3 por cento ante fevereiro e subiria 3,8 por cento ante o mesmo mês do ano anterior.

“Cada vez mais o consumo vai perder participação, vai deixar de ser o ‘driver’ do PIB (Produto Interno Bruto). E vamos ter que contar mais com a retomada do investimento”, disse a economista do BNY Mellon ARX Camila Monteiro.

SUPERMERCADOS

Segundo o IBGE, o setor de Hipermercados, supermercados e produtos alimentícios registrou queda mensal de 2,1 por cento em março, pior do que a contração de 1,4 por cento vista em fevereiro, quando a resistente pressão sobre a inflação afetou o consumo.

O resultado de março só perde para o de fevereiro de 2008, quando as vendas nesse setor recuaram 2,2 por cento, segundo o IBGE, destacando orçamentos mais apertados das famílias apesar do baixo nível de desemprego.

O alto nível da inflação ao consumidor, sobretudo nos preços de alimentos, deve ter continuado a ter impacto negativo nas vendas ao varejo, afirmou o economista do IBGE Reinaldo Pereira.

“A inflação nesse setor está muito alta e isso é o que provavelmente fez com que o desempenho desse setor continuasse negativo,” disse ele, referindo-se à queda mensal em março.

Sobre um ano ante, as vendas do setor subiram 4 por cento mas porque a Páscoa ocorreu em março, enquanto no ano passado tinha sido em abril. Sem esse efeito, o desempenho do setor poderia ter sido negativo também na comparação interanual, disse Pereira.

Parte das empresas de consumo já sente em seus resultados a pressão dos preços e teme que o cenário de menor demanda possa continuar.

Na ponta oposta, ainda segundo o IBGE, o setor de Tecidos, vestuário e calçados mostrou a maior alta mensal em março, de 3,9 por cento, seguido por Combustíveis e lubrificantes, com alta de 2,4 por cento.

Em março, a receita nominal subiu 0,8 por cento ante fevereiro, com alta de 13,5 por cento na comparação anual.

O varejo vinha se desenhando como um dos poucos pontos positivos da economia, impulsionado pela renda e o emprego em alta. No entanto, a resistência dos preços em níveis elevados ainda continua e tem corroído o poder de compra.

Em abril, o IPCA acelerou a 0,55 por cento, mas em março já havia registrado importante alta, de 0,47 por cento, estourando em 12 meses o teto da meta do governo, de 6,5 por cento.

O IBGE também revisou os dados das vendas de fevereiro ante janeiro, passando de queda de 0,4 de por cento para retração de 0,5 por cento.

Para o economista do IBGE, a alta nos preços dos alimentos, da ordem de 15 por cento em 12 meses segundo o IPCA, pode ter levado alguns consumidores a reduzirem os gastos em outros setores para fazer frente ao aumento das despesas com alimentação.

RECUPERAÇÃO FRÁGIL

No comércio varejista ampliado --que inclui o setor automotivo e material de construção-- as vendas registraram avanço de 0,2 por cento em março ante fevereiro. Na comparação anual, houve aumento de 3 por cento.

A confiança do consumidor já havia indicado fraqueza do setor. Embora tenha parado de cair, o indicador da Fundação Getulio Vargas permaneceu em abril no menor nível dos últimos três menos, justamente devido aos temores com a inflação.

“Isso demonstra que o processo de recuperação está muito lento, que será preciso mais tempo para que haja retomada, o que vai demorar porque os juros começaram a subir”, avaliou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, referindo-se à Selic, hoje a 7,50 por cento ao ano, e que deve ser elevada ainda mais para combater a inflação.

Para ele, o varejo corroborou a redução nas suas estimativas para o crescimento do PIB neste ano, de 3,4 para 2,9 por cento.

Veja os resultados dos segmentos no varejo (% do mês sobre o mês anterior):

Reportagem adicional de Silvio Cascione, em São Paulo; Edição de Patrícia Duarte

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below