18 de Março de 2014 / às 12:47 / em 4 anos

Putin assina tratado que torna Crimeia parte da Rússia

Por Steve Gutterman e Vladimir Soldatkin

O presidente russo, Vladimir Putin, o primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksyonov, o presidente do parlamento da Crimeia, Vladimir Konstantinov, e o prefeito de Sebastopol, Alexei Chaliy, participam de uma cerimônia de assinatura no Kremlin em Moscou. Putin, desafiando protestos ucranianos e sanções ocidentais, assinou nesta terça-feira um tratado anexando a Crimeia à Rússia, mas afirmou não ter planos para controlar outras regiões da Ucrânia. 18/03/2014 REUTERS/Sergei Ilnitsky/Pool

MOSCOU, 18 Mar (Reuters) - O presidente russo, Vladimir Putin, desafiando protestos ucranianos e sanções ocidentais assinou nesta terça-feira um tratado anexando a Crimeia à Rússia, mas afirmou não ter planos para controlar outras regiões da Ucrânia.

Em um discurso fortemente patriótico em uma sessão conjunta do Parlamento russo no Kremlin, pontuado por aplausos e manifestações emocionadas, Putin criticou países ocidentais pelo que chamou de hipocrisia. Nações ocidentais haviam endossado a independência de Kosovo da Sérvia, mas agora negavam o mesmo direito ao cidadãos da Crimeia, disse.

“Você não pode chamar a mesma coisa hoje de preto e amanhã de branco”, disse sob aplausos, afirmando que os parceiros ocidentais haviam “cruzado a linha” em relação à Ucrânia e se comportado “de forma irresponsável”.

Putin disse que os novos líderes da Ucrânia, no poder desde a derrubada do presidente pró-Moscou Viktor Yanukovich, no mês passado, incluem neonazistas, antissemitas e xenófobos.

O presidente russo disse que a votação do referendo da Crimeia, no domingo, realizada sob ocupação militar russa, havia demonstrado a vontade esmagadora das pessoas de se unirem à Rússia, após 60 anos como parte da República ucraniana.

Com o som do hino nacional da Rússia, Putin e líderes da Crimeia assinaram o tratado para tornar a região parte da Rússia. Durante seu discurso, Putin foi interrompido por aplausos pelo menos 30 vezes.

“Nos corações e mentes das pessoas, a Crimeia sempre foi e continua sendo uma parte inseparável da Rússia”, disse Putin.

Ele agradeceu à China pelo que chamou de apoio, embora Pequim tenha escolhido se abster na votação de uma resolução da ONU sobre a Crimeia em que Moscou teve de vetar sozinho, e disse ter certeza de que os alemães apoiariam a tentativa do povo russo de reunificação, assim como a Rússia apoiou a reunificação alemã em 1990.

Putin procurou tranquilizar os ucranianos de que a Rússia não procura novas divisões de seu país. Teme-se em Kiev que a Rússia possa tentar dominar regiões orientais da Ucrânia de língua russa.

“Não acredite em quem tenta assustá-lo com a Rússia e que gritam que outras regiões seguirão após a Crimeia”, disse Putin. “Nós não queremos dividir a Ucrânia. Nós não precisamos disso.”

Esclarecendo a preocupação da Rússia com a possibilidade de uma aliança militar da Otan, liderada pelos Estados Unidos, em expansão na Ucrânia, ele declarou: “Eu não quero ser recebido em Sebastopol (sede da frota do mar Negro da Rússia na Crimeia) por marinheiros da Otan.”

O controle de Moscou sobre a Crimeia, denunciado pelo Ocidente como ilegal e em violação da constituição da Ucrânia, causou a mais grave crise Leste-Oeste, desde o fim da Guerra Fria.

Antes do discurso de Putin, o primeiro-ministro interino da Ucrânia, Arseniy Yatseniuk, procurou tranquilizar Moscou em duas principais áreas de preocupação, dizendo em um discurso televisionado na Rússia que Kiev não estava buscando aderir à Otan, à aliança militar liderada pelos Estados Unidos, e que iria desarmar as milícias nacionalistas ucranianas.

SANÇÕES LEVES

Na segunda-feira, os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções a uma lista de funcionários da Rússia e da Ucrânia, acusados de envolvimento no controle militar de Moscou na Crimeia.

Políticos russos rejeitaram as sanções como insignificantes. O Japão juntou-se às moderadas sanções ocidentais na terça-feira, anunciando a suspensão das negociações com a Rússia sobre investimentos e vistos.

Reportagem adicional de Mike Collett-White e Aleksandar Vasovic em Simferopol, Michael Shields em Viena e Jason Bush, em Moscou

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