June 26, 2014 / 12:32 PM / 4 years ago

CORREÇÃO-BC reduz projeção de alta do PIB a 1,6% em 2014, vê inflação quase no teto da meta

- (Corrige no 1o parágrafo para “contração” da indústria, e não “contratação”)

SÃO PAULO (Reuters) - Ao mesmo tempo em que passou a ver a economia crescendo menos neste ano, com contração da indústria, o Banco Central piorou suas contas sobre a inflação neste ano e no próximo mas argumentou que ela entrará em convergência para a meta à frente.

“(O BC) antecipa cenário que contempla inflação resistente nos próximos trimestres, mas, que, mantidas as condições monetárias, tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção”, afirmou o Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta-feira.

A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano foi a 1,6 por cento, ante 2,0 por cento. O BC passou a ver a indústria contraindo 0,4 por cento em 2014, bem pior do que a estimativa de expansão de 1,5 por cento vista até então.

Segundo a autoridade monetária, essa piora veio da revisão nas estimativas de crescimento da produção da indústria de transformação (de 0,5 para -1,9 por cento) e da construção civil (de 1,1 para -2,2% por cento).

Sobre a inflação, o BC vê que o IPCA subirá 6,4 por cento neste ano pelo cenário de referência, ante previsão anterior de 6,1 por cento, praticamente no teto da meta do governo —de 4,5 por cento, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Com isso, o BC passou a ver chances praticamente iguais de a inflação estourar ou não o teto da meta neste ano. Segundo o relatório, a possibilidade de ficar acima do limite está em torno de 46 por cento, frente aos 38 por cento no documento anterior.

O BC vê ainda alta de 5,7 por cento do índice em 2015, um pouco acima da projeção anterior (5,5 por cento), e de 5,1 por cento no segundo trimestre de 2016.

Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada no início do mês, o BC já havia sinalizado que o ritmo de expansão da atividade neste ano tendia “a ser menos intenso este ano, em comparação ao de 2013”.

No mês passado, o BC encerrou o ciclo de aperto monetário, que durou um ano e tirou a Selic na mínima histórica de 7,25 por cento para o atual patamar de 11 por cento. Mas, apesar do movimento, a inflação continua em patamares elevados.

O BC têm argumentado que a recente inflação dos alimentos é temporária, balizando a decisão de parar de subir os juros. Mas, por outro lado, demonstra preocupação com a inflação dos preços administrados, com previsão de 5 por cento neste ano.

“O Copom avalia que pressões inflacionárias ora presentes na economia —a exemplo das decorrentes do realinhamento de preços administrados em relação aos livres; do realinhamento de preços domésticos em relação aos externos; e de ganhos salariais incompatíveis com ganhos de produtividade— tendem a arrefecer ou, até mesmo, a se esgotarem ao longo do horizonte relevante para a política monetária”, informou o BC pelo relatório.

A economia brasileira iniciou o ano desacelerando, com o PIB crescendo apenas 0,2 por cento no primeiro trimestre, afetada pelo mau desempenho da indústria e dos investimentos.

Segundo a pesquisa Focus do BC, a expectativa dos economistas é de expansão de 1,16 por cento do PIB neste ano, muito aquém dos 2,5 por cento vistos em 2013. [nL2N0P408F]

Por Patrícia Duarte

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