February 12, 2015 / 2:53 PM / 3 years ago

Novas projeções apontam safra menor de soja no Brasil, mas ainda recorde

Por Gustavo Bonato

Vista de plantação de soja na cidade de Primavera do Leste, Mato Grosso. 07/02/2013 REUTERS/Paulo Whitaker

SÃO PAULO (Reuters) - Os danos causados pelo período seco em janeiro em áreas do Centro-Oeste deverão reduzir o potencial da safra brasileira de soja, mas sem ameaça à perspectiva de uma colheita recorde este ano no país, mostra levantamento feito pela Reuters com 17 consultorias e entidades do setor.

A média das projeções aponta uma safra de 93,4 milhões de toneladas de soja na safra 2014/15, bem acima das 86,1 milhões de toneladas da estimativa oficial do governo para a temporada 2013/14.

Um mês atrás, em 9 de janeiro, levantamento semelhante apontava que a safra atual atingiria 94,5 milhões de toneladas, na média de 16 fontes consultadas.

“Em Goiás e no Distrito Federal, onde ocorreram as maiores reduções na produtividade da oleaginosa no país, alguns municípios sofreram intensamente com a falta de chuvas durante estágios sensíveis da lavoura, por um período de aproximadamente 30 dias”, disse a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A Conab divulgou nesta quinta-feira relatório em que reduziu sua estimativa para a safra da oleaginosa em 1,34 milhão de toneladas, para 94,58 milhões.

“Houve uma revisão para baixo do potencial produtivo especialmente em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Bahia, onde o clima seco e as altas temperaturas geraram maior prejuízo às lavouras. Por outro lado, as boas condições verificadas no Sul do país tendem a proporcionar melhores rendimentos no campo neste ano”, disse a consultoria Céleres em relatório publicado este semana.

As estimativas para a safra de soja variam de 91 milhões a 95,2 milhões de toneladas.

A soja é o principal cultivo do Brasil, respondendo também por boa parte das exportações do agronegócio.

SAFRA DE MILHO MENOR

Para o milho, o levantamento da Reuters com 11 fontes aponta uma safra de 75,9 milhões de toneladas em 2014/15, ante 80,05 milhões de toneladas da estimativa oficial para 2013/14.

As estimativas para o milho variam bem mais do que as da soja, entre outros motivos porque a segunda safra do cereal ainda não está bem definida, nem em área, já que o plantio está apenas começando, nem em produtividades, uma vez que as chuvas necessárias não são uma certeza.

As projeções para o milho variam de 72,8 milhões a 80 milhões de toneladas.

“Em Mato Grosso (principal produtor de milho segunda safra), onde o solo está mais seco que o usual, a continuidade do tempo seco pode desencorajar produtores a expandir o plantio de segunda safra além da nossa previsão e pode impor riscos de perda de alta produtividade, caso as precipitações continuem baixas no período crítico de abril a junho”, disse na quarta-feira a consultoria norte-americana Lanworth.

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