April 1, 2015 / 10:24 PM / in 3 years

Ministro quer R$41 bi para micro e pequena empresa, mas BC não deve mexer em compulsório

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA (Reuters) - A Secretaria da Micro e Pequena Empresa busca a liberação de 41 bilhões de reais em compulsórios para elevar e baratear a oferta de crédito a micro e pequenas empresas, mas o pedido esbarra na resistência da equipe econômica.

O ministro da pasta, Guilherme Afif Domingos, disse à Reuters nesta quarta-feira que a liberação de recursos do compulsório —parte do dinheiro depositado nos bancos que fica no Banco Central, ou seja, fora de circulação— foi tema de reunião na Casa Civil nesta tarde.

Segundo ele, a presidente Dilma Rousseff já teria manifestado ser favorável ao uso de parcela dos compulsórios para ampliar a oferta de crédito para micro e pequenas empresas.

“O uso do compulsório é uma determinação da presidente Dilma”, declarou Afif, acrescentando que Dilma gostaria de uma definição sobre o tema até 10 de abril para acelerar a oferta de crédito para os pequenos negócios, segmento que responde mais rapidamente na oferta de emprego.

Porém, uma fonte da equipe econômica que falou à Reuters sob condição de anonimato disse à Reuters que “não há como dar prosseguimento a esse pedido. Não há como liberar 41 bilhões de reais na economia”.

A mudança nos percentuais de recolhimento compulsório de depósitos à vista e a prazo —parte dos recursos dos bancos que fica depositada no BC, ou seja, fora de circulação— depende de norma da autoridade monetária.

A liberação de dinheiro pelo BC agora, porém, iria na contramão do esforço da autoridade monetária para controlar a inflação e reduziria o efeito do aperto monetário em curso para conter a demanda.

Participaram da reunião na Casa Civil, além de Afif, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e os presidentes do BNDES, Luciano Coutinho, e da Caixa, Mirian Belchior, além do vice-presidente de Agronegócios e Micro e Pequenas Empresas do Banco do Brasil, Osmar Dias.

Também participaram do encontro os ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento), além de Afif.

A última vez que o compulsório foi usado para estimular o crédito foi em julho e agosto do ano passado, quando o BC anunciou uma série de medidas para melhorar a oferta de empréstimos e financiamentos na economia.

A despeito dessa iniciativa, o mercado de crédito desacelerou no ano passado, encerrando o ano com uma taxa de expansão de 11,3 por cento a menor em 11 anos.

Para 2015, o BC indicava aumento de 12 por cento do crédito, mas reviu a projeção para alta de 11 por cento diante dos sinais persistentes de fraqueza da atividade doméstica.

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