December 3, 2015 / 12:12 PM / 3 years ago

BC diz que tomará "medidas necessárias" para segurar a inflação e indica juros maiores

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central afirmou que tomará as “medidas necessárias” para controlar a escalada de preços independentemente da política fiscal e do cenário de incertezas, indicando que deve voltar a elevar os juros básicos em breve.

Sede do Banco Central, em Brasília. 23/09/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

Ao mesmo tempo, a autoridade monetária piorou sua previsão para a inflação neste ano e em 2016, afirmando que ambas estão acima do centro da meta —de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos—, segundo ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira.

“Independentemente do contorno das demais políticas, o Comitê adotará as medidas necessárias de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas (de inflação)”, trouxe o documento, ressaltando que isso significa levar “a inflação o mais próximo possível de 4,5 por cento em 2016... e fazer convergir a inflação para a meta de 4,5 por cento em 2017”.

Para 2017, a meta de inflação é de 4,5 por cento, mas com margem de 1,5 ponto percentual.

Na semana passada, o BC decidiu manter a Selic em 14,25 por cento ao ano, mas numa decisão dividida, com dois membros do Copom optando por elevar a taxa em 0,5 ponto percentual, em meio à piora nas expectativas de inflação e no cenário de indefinições fiscais e turbulências políticas no país.

Mais uma vez, o BC destacou o atual cenário fiscal, com as contas públicas em desordem, como um dos fatores que pesam negativamente sobre o cenário econômico. Para a autoridade monetária, as incertezas envolvem “a velocidade do processo de recuperação dos resultados fiscais e a sua composição, e que o processo de realinhamento de preços relativos mostra-se mais demorado e mais intenso que o previsto”.

Segundo a pesquisa Focus do próprio BC, que ouve semanalmente uma centena de economistas, as expectativas de alta da inflação têm piorado com intensidade. No início de outubro, os cálculos para a elevação do IPCA em 2015 e 2016 estavam em 9,5 e 5,92 por cento, passando agora para 10,38 e 6,64 por cento, estourando a meta do governo.

Para 2017, as contas também estão cada vez piores: passaram de alta de 4,86 para 5,12 por cento, no período.

Pela ata, no cenário de referência (com dólar constante a 3,80 reais e Selic em 14,25 por cento), o BC piorou suas projeções para a inflação tanto em 2015 quanto em 2016, permanecendo acima do centro da meta. Para 2017, a projeção encontra-se em torno da meta. Nestes casos, o BC não informa sua projeção nominal.

Os membros do Copom que votaram pela alta da Selic na semana passada, ainda segundo o documento, argumentaram que o movimento serviria para “reduzir os riscos de não cumprimento dos objetivos”. Porém, a maioria votou pela manutenção da taxa para “monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião para, então, definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”.

Foi a primeira decisão sem consenso do Copom desde outubro do ano passado.

Via de regra, o BC inicia ciclos de aperto monetário com alta mais branda, de 0,25 ponto percentual. A inclinação de dois membros por um passo mais agressivo reforçou, para analistas, a visão de que o Copom estaria se preparando para subir a Selic em breve, até mesmo em janeiro, quando se reúne novamente.

“Se as expectativas de inflação se deteriorarem ainda mais, eles (BC) vão subir na próxima reunião”, afirmou o analista da TD Securities, Cristian Maggio.

No mercado de juros futuros, as apostas são de que a Selic será elevada em 0,5 ponto percentual no próximo mês, segundo dados da Reuters. Segundo operadores, a curva de DIs também apontava pelo menos outras duas elevações de 0,50 ponto na Selic em seguida.

Até a última reunião, o Copom defendia que a manutenção dos juros no atual patamar, por período suficientemente prolongado, seria necessária para a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante da política monetária. Ou seja, no final de 2017.

Mesmo com a economia em recessão, o que poderia ajudar a reduzir a alta dos preços, as pressões inflacionárias continuam a aumentar na esteira de ajustes de tarifas e da disparada do dólar sobre o real.

Reportagem adicional de Alonso Soto, em Brasília

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