November 28, 2016 / 1:17 PM / a year ago

Com repatriação, Brasil tem superávit primário recorde de R$39,589 bi em outubro

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - Com receitas extraordinárias, o Brasil voltou a registrar superávit primário em outubro após cinco meses no vermelho, desempenho recorde mas não suficiente para melhorar a dívida pública de maneira mais consistente.

No mês passado, a economia feita para pagamento de juros da dívida ficou em 39,589 bilhões de reais, informou o Banco Central nesta segunda-feira, diretamente impulsionada pelo programa de regularização de ativos no exterior, conhecido como repatriação, que rendeu aos cofres públicos quase 47 bilhões de reais.O dado do setor público consolidado —governo central, Estados, municípios e estatais— do mês passado veio melhor que a expectativa de 30,55 bilhões de reais em pesquisa Reuters e foi o mais forte desempenho mensal já cravado na série histórica iniciada pelo BC em dezembro de 2001.

Enquanto o superávit primário do governo central (governo federal, BC e INSS) foi 39,127 bilhões de reais em outubro, Estados e municípios tiveram saldo positivo de 296 milhões de reais e as empresas estatais de 166 milhões de reais. No acumulado do ano, entretanto, as contas públicas seguem em território negativo, com déficit primário de 45,912 bilhões de reais. Em 12 meses, o rombo é de 2,23 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Com o forte desempenho conquistado com a repatriação, o setor público fechou o mês passado com superávit nominal —receitas menos despesas, incluindo pagamento de juros— de 3,384 bilhões de reais, primeiro resultado no azul desde abril de 2015 (11,232 bilhões de reais). Para o ano, a meta fiscal é de déficit de 163,9 bilhões de reais para o setor público consolidado, correspondente a 2,6 por cento do PIB. Apesar da ajuda extraordinária com a repatriação, o governo reiterou na semana passada o compromisso com esse alvo que, se confirmado, será o pior já registrado pelo país e o terceiro seguido no vermelho.

O BC informou ainda que, em outubro, a dívida líquida do país subiu ligeiramente a 44,2 por cento do PIB, ante 44,1 por cento em setembro. Por sua vez, a dívida bruta caiu a 70,3 por cento do PIB, sobre 70,8 por cento no mês anterior.

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