February 14, 2017 / 4:45 PM / a year ago

Dólar passa a subir ante real após Yellen sinalizar aumento de juros

Por Claudia Violante

Um pacote de notas de cinco dólares dos Estados Unidos passa por inspeção em Washington, nos Estados Unidos 26/03/2015 REUTERS/Gary Cameron/File Photo

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar abandonou a queda e passou a trabalhar em alta ante o real nesta terça-feira, após a chair do Federal Reserve, Janet Yellen, ter alimentado apostas de que o banco central norte-americano pode aumentar os juros mais do que o esperado.

Antes disso, o dólar chegou a recuar para abaixo de 3,10 reais, após o Banco Central brasileiro voltar a atuar no mercado de câmbio.

Às 14:43, o dólar avançava 0,23 por cento, a 3,1171 reais na venda, depois de tocar a máxima de 3,1283 reais no dia. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,10 por cento.

“Ela (Yellen) foi clara ao dizer que não seria inteligente esperar para subir os juros”, apontou o diretor de operações da Mirae Asset, Pablo Spyer.

Yellen disse que o Fed provavelmente precisará elevar a taxa de juros em uma das próximas reuniões, embora tenha indicado incerteza considerável sobre a política econômica com a administração do presidente Donald Trump. Ela acrescentou ainda, durante audiência no Senado norte-americano, que adiar aumentos dos juros seria “insensato”.

Com mais juros, os Estados Unidos podem atrair recursos aplicados hoje em outros países, como o Brasil, o que faria o dólar a se apreciar ante o real.

Os juros futuros nos Estados Unidos indicavam chances de 43 por cento de o Fed elevar os juros três vezes, pelo menos, neste ano, frente aos 33 por cento vistos até a véspera.

Com isso, o dólar atingiu a máxima de três semanas ante uma cesta de moedas, também passando a subir sobre divisas de países emergentes, como o peso mexicano.

Mais cedo, o dólar operou abaixo de 3,10 reais, batendo na mínima da sessão 3,0929 reais, menor cotação intradia desde 2 de julho de 2015 (3,0924 reais).

O BC brasileiro voltou a fazer leilão de swap tradicional —equivalentes à venda futura de dólares— para rolagem dos vencimentos de março, vendendo o lote integral de até 6 mil contratos, equivalente a 300 milhões de dólares. Com isso, voltou ao mercado com esse tipo de intervenção, feita pela última vez em 30 de janeiro.

Se mantiver esse volume até o final do mês, e vender o lote integral, o BC rolará apenas parcialmente o lote que vence no próximo mês, equivalente a 6,954 bilhões de dólares.

Segundo operadores, a atuação indicava que o BC não estava preocupado com o nível do dólar, que vem mostrando trajetória de baixa ante o real diante das expectativas de ingresso de recursos externos no País.

“Parece que para o BC, quanto mais baixo (o dólar), melhor. Pode contribuir para cortar um pouco mais a Selic”, afirmou o diretor da consultoria de valores mobiliários Wagner Investimentos, José Faria Júnior.

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