April 12, 2017 / 4:32 PM / 2 years ago

Palavra de ordem no Congresso é evitar contaminação da agenda de reformas com lista de Fachin

BRASÍLIA (Reuters) - Um dia após a divulgação da lista de políticos a serem investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com base nas delações de executivos da Odebrecht, o discurso corrente no Congresso era que a agenda de reformas não deve ser contaminada pelas atividades do Judiciário.

Ainda que haja um impacto no andamento do cronograma dos trabalhos —diante de uma natural maior ausência de citados entre os alvos de inquérito—, a ideia é não perder o foco e não permitir prejuízos de conteúdo nas principais medidas do governo que tramitam no Legislativo.

“Tem que ter sangue frio, focar nas reformas, não perder o foco do que o Executivo e o Congresso têm que fazer, e ir administrando a navegação em um novo ambiente”, disse à Reuters o líder da maioria na Câmara, Lelo Coimbra (PMDB-ES), nesta quarta-feira.

“Se formos fazer esse paralelo com a navegação, o mar ficou revolto, mas o objetivo de chegar ao destino é o mesmo. As condições de navegação mudaram um pouco. Vamos ter que ajustar os equipamentos”, disse.

Segundo o líder, não deve haver impacto no conteúdo das principais medidas, já que o parecer da reforma trabalhista já estava concluído —sendo apresentado nesta quarta— e o texto da reforma da Previdência está na reta final das negociações.

Na mesma linha, o líder do DEM, Efraim Filho (PB), afirmou nesta manhã que não é hora de “paralisia” no Congresso.

“A pior resposta neste momento seria a omissão, seria a inércia”, disse o líder a jornalistas. “O Congresso tem que ter maturidade e serenidade para separar as duas agendas. A agenda da Lava Jato correrá na Justiça, que é o fórum adequado.”

Na terça-feira, o relator da operação Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin, autorizou a abertura de 76 inquéritos contra ministros de Estado, governadores, e parlamentares —incluindo os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e relatores de medidas prioritárias do governo no Congresso, caso do relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA).

Em nota divulgada na manhã desta quarta, Oliveira Maia afirma que não há acusação direta contra ele, mas “apenas a alegação e suposta irregularidade na prestação de contas” da campanha eleitoral de 2010. O deputado reiterou que todas as doações foram declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.

Ainda na terça-feira, o presidente da Câmara afirmou que o processo irá “comprovar que são falsas as citações dos delatores e os inquéritos serão arquivados”. Também defendeu que o Ministério Público e a Justiça façam seu trabalho, e que o Congresso cumpra “seu papel institucional de legislar”.

O presidente do Senado, por sua vez, afirmou por nota que “a verdade prevalecerá” e que a “Justiça brasileira tem maturidade e firmeza para apurar e distinguir a verdade das mentiras”. Pouco antes de soltar a nota, em conversa com jornalistas, afirmou que a pauta na Casa será tocada “com naturalidade”.

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