7 de Dezembro de 2017 / às 09:17 / em 9 dias

Sem votos, governo adia para esta 5ª decisão sobre pautar reforma da Previdência

BRASÍLIA (Reuters) - Apesar do discurso otimista de lideranças da base nos últimos dias, o governo do presidente Michel Temer decidiu adiar para esta quinta-feira uma decisão sobre se a nova versão da reforma da Previdência será colocada em votação no plenário da Câmara dos Deputados na próxima semana.

Vista do Palácio do Planalto em Brasília 12/03/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino

Essa posição foi tomada em jantar na noite de quarta promovido por Temer no Palácio da Alvorada com a presença de 19 ministros, 7 presidentes de partidos, 18 deputados, boa parte deles líderes de bancada, e o secretário de Previdência Social, Marcelo Caetano.

A expectativa inicial dos governistas era tratar a quarta como o “Dia D” da reforma, marco para acertar a votação da proposta a partir de um número seguro de votos. Contudo, após pente-fino nas bancadas feito por dirigentes partidários, o Palácio do Planalto ainda não tem segurança que dispõe de ao menos 308 votos para pedir ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para pautar a votação do texto.

Durante a quarta, uma série de aliados divulgaram números díspares de apoios à reforma, motivo de advertência pública feita pelo próprio Rodrigo Maia.

“Alguns partidos trouxeram as suas informações das bancadas e outros estão ainda conversando com suas bancadas. Ficou definido, até a pedido do presidente Michel Temer, para que eles tragam essas informações até o meio dia de amanhã para o líder (do governo na Câmara) Aguinaldo Ribeiro e só dessa maneira vamos fazer o fechamento (para realizar a votação). Lógico, com esse fechamento, o presidente Rodrigo  Maia vai ter condições de analisar se pauta já para a próxima semana”, disse o deputado Beto Mansur (PRB-SP), um dos vice-líderes do governo na Câmara, em entrevista coletiva após o jantar.

Mansur disse que a base vai trabalhar “intensamente” para aprovar a reforma ainda este ano e destacou que ainda faltam 15 dias de trabalhos legislativos antes do início do recesso parlamentar.

“Estamos chegando num número positivo para colocar em votação”, reforçou.

A partir de uma articulação direta de Temer no fim de semana, a aposta do governo e aliados era tentar fechar a conta dos apoios na quarta para começar a discutir a proposta na segunda-feira e votá-la em seguida, no primeiro turno.

Uma das principais apostas para garantir esse calendário era o fechamento de questão a favor da reforma pelos partidos da base, o que pressionaria os deputados a apoiarem a reforma sob risco de serem punidos internamente dentro de suas legendas.

Contudo, até o momento somente o PMDB, partido de Temer e que é a maior bancada da Câmara, com 60 deputados, e o PTB, com apenas 16 deputados, fecharam questão.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, chegou a dizer na terça que esperava que 7 partidos da base mais o PSDB, que deverá deixar o governo em convenção partidária no sábado, seguissem essa linha de atuação na reforma.

De modo geral, no entanto, os partidos da base têm sinalizado que querem apoiar a reforma por meio do convencimento de seus parlamentares.

Para aprovar a reforma na Câmara são necessários os votos de 308 dos 513 deputados em dois turnos de votações no plenário da Casa. Posteriormente, a Proposta de Emenda à Constituição que muda as regras previdenciárias terá ainda de ser analisada pelo Senado.

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