December 13, 2017 / 2:29 PM / 9 months ago

Economia brasileira tem vários colchões disponíveis para volatilidade com eleições, diz Ilan

BRASÍLIA (Reuters) - A economia brasileira está se recuperando e tem vários colchões disponíveis para atravessar qualquer volatilidade futura por conta das eleições, avaliou nesta quarta-feira o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, defendendo ainda os benefícios para a economia de uma inflação possivelmente abaixo do piso da meta neste ano.

Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, durante entrevista à Reuters em Brasília 09/08/2017 REUTERS/Adriano Machado

Bastante questionado sobre as eleições presidenciais de 2018, Ilan citou conforto com os atuais níveis da inflação, das reservas internacionais e dos swaps cambiais.

“Começar o ano com inflação abaixo da meta é um colchão. Começar o ano com expectativas ancoradas para todos os anos é um colchão”, disse ele, afirmando que não faria comentários sobre a eleição porque a contribuição do BC é de “instituição técnica e neutra”.

A respeito da possibilidade de a inflação fechar o ano abaixo de 3 por cento, Ilan defendeu o lado positivo do legado. No último encontro de política monetária, o BC reduziu a projeção de inflação pelo cenário de mercado a 2,9 por cento em 2017, abaixo do piso da meta oficial deste ano —de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

“Considero que a inflação ter chegado a 2,9, 2,8 por cento é um grande ativo para a sociedade brasileira. O poder de compra aumentou. Em conjunto, permitiu a queda da taxa de juros a níveis mínimos históricos e contribuiu para a recuperação da economia”, disse ele.

Na mais recente pesquisa Focus, feita pelo BC junto a uma centena de economistas, a expectativa para o IPCA neste ano caiu a 2,88 por cento. Se o índice terminar 2017 abaixo de 3 por cento, será a primeira vez desde a criação do regime de metas que a inflação fica abaixo do piso e Ilan terá de justificar o resultado em carta aberta.

O presidente do BC voltou a pontuar que a inflação mais baixa neste ano teve relação com o choque deflacionário dos preços dos alimentos e que a política monetária não deve reagir diretamente ao movimento.

“Não se tenta combater queda de preços de itens que o BC não tem controle tentando subir o preço daqueles que o BC tem controle”, afirmou.

Ele também enfatizou que os ajustes e reformas do governo, em particular a da Previdência, são fundamentais para o equilíbrio da economia. A continuidade desse cenário, afirmou Ilan, garantirá trajetória de juros mais baixos.

No início do mês, o BC cortou a Selic em 0,5 ponto percentual, à mínima histórica de 7 por cento ao ano, deixando a porta aberta para nova redução adiante, mas ressalvando que encarará a investida com “cautela”.

Isso porque o BC deixou claro que os passos seguintes estão mais sensíveis a eventuais mudanças no cenário de riscos o que, para analistas, foi uma sinalização sobre como será o desfecho da reforma da Previdência.

Durante a coletiva, Ilan fez um balanço da atuação do BC em 2017, que considerou um ano “proveitoso” em termos macroeconômicos. Dentre as ações já divulgadas e que ainda não foram endereçadas pela autoridade monetária, Ilan afirmou que o BC segue estudando projeto para sua autonomia operacional.

Para ele, essa é uma investida que tende a reduzir o prêmio de risco da economia “com custo fiscal nenhum”.

Ilan também afirmou que o BC irá trabalhar para diminuir o custo do cartão de débito e fazer estudo sobre níveis estruturais de compulsórios, ambas novidades em relação às medidas apresentadas até então na Agenda BC+.

Reportagem adicional de Bruno Federowski

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