December 21, 2017 / 12:47 PM / 7 months ago

Petrobras prevê investir US$74,5 bi em 5 anos; ação sobe 4% após plano sem surpresas

SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras elevou ligeiramente a previsão de investimentos no plano de negócios 2018-2022 para 74,5 bilhões de dólares, ante 74,1 bilhões no anterior (2017-2021), enquanto projetou um aumento de cerca de 30 por cento na produção de petróleo e gás no período do programa e uma redução da dívida líquida no próximo ano.

Homem caminha na frente da sede da Petrobras no Rio de Janeiro, Brasil 13/04/2017 REUTERS/Ricardo Moraes

Do montante estimado nesta quinta-feira, 60,3 bilhões de dólares serão para a área de Exploração & Produção e outros 13,1 bilhões para Refino e Gás Natural, no período de 2018 a 2022.

O ligeiro aumento nos investimentos difere da situação registrada no ano passado, quando a Petrobras, que foi duramente atingida pela queda dos preços do petróleo e por uma crise gerada por um escândalo bilionário de corrupção, cortou em 25 por cento os aportes ante o programa anterior.

O plano foi bem recebido por analistas de mercado, que consideraram o documento em linha com a expectativa e sem mudanças significativas em relação ao anterior.

A ação preferencial da Petrobras fechou em alta de 4 por cento, após a divulgação do segundo plano de negócios da gestão de Pedro Parente.

“Em poucas palavras, o plano parece viável e chegou alinhado com o orçamento anterior da Petrobras, mantendo o mesmo nível de investimentos, foco em desinvestimentos e redução de alavancagem”, disse o JP Morgan, em um relatório enviado a clientes.

O banco ressaltou que cerca de 80 por cento dos investimentos previstos até 2022 são focados em exploração e produção de petróleo e gás natural.

Nas demais áreas de negócios, os investimentos destinam-se, basicamente, à manutenção das operações e a projetos relacionados ao escoamento de petróleo e gás natural, segundo a companhia.

O programa de parcerias e desinvestimentos, parte importante do plano para a empresa, foi mantido em 21 bilhões de dólares para o período 2017-2018.

O banco Santander pontuou que a empresa já realizou 20 por cento do seu objetivo no plano de desinvestimentos e que espera uma aceleração no início de 2018, “já que a Petrobras já anunciou muitas oportunidades de desinvestimento para o mercado que poderiam ser concluídas em breve”.

“Acreditamos que o pragmatismo da administração levará a um foco contínuo na redução da alavancagem ainda mais após 2018, a fim de atingir os níveis mais baixos de seus pares globais de petróleo”, disse o Santander, em relatório a clientes.

Pelas projeções da empresa, a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado deve sair de 3,2 vezes no último trimestre para 2,5 vezes em 2018, outra meta mantida.

A apresentação do plano foi realizada por Parente, em Brasília, com a presença de Michel Temer, em um movimento incomum, já que o detalhamento de resultados ou de metas para o futuro da empresa normalmente é realizado em prédios da petroleira no centro do Rio de Janeiro.

Desde que assumiu a petroleira estatal, Parente diz que tem independência para tomar decisões em prol da recuperação da empresa, o que tem sido amplamente aprovado pelo mercado.

“Viemos aqui fazer uma prestação de contas ao principal acionista da nossa empresa. É disso que se trata... Não vejo como isso possa arranhar essa autonomia, nada mudou”, frisou Parente.

Durante sua apresentação, contudo, Parente pontuou que a empresa elevou em 12 por cento o valor da carteira potencial de ativos que podem ser vendidos, para 47 bilhões de dólares, o que traz maior flexibilidade para que a empresa atinja a meta de desinvestimento traçada.

PRODUÇÃO

A Petrobras projeta produção de 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2018, quantidade que deve ir a 3,55 milhões de boed até 2022.

No plano anterior, a estatal previa 2,62 milhões de boed em 2017 e aumento para 3,41 milhões de boed até 2021 —pelos dados mais recentes, a Petrobras produziu um total de 2,72 milhões de boed em novembro.

Ainda de acordo com a petroleira, sua produção de petróleo no Brasil deve crescer quase 40 por cento, de 2,1 milhões em 2018 para 2,9 milhões de boed até 2022, “já considerando os investimentos, as parcerias e os desinvestimentos”.

Em novembro, a empresa produziu 2,13 milhões de barris de petróleo no Brasil, em média.

Embora o Santander tenha considerado a meta de produção realista, o Itaú BBA destacou acreditar que se trata de um objetivo ambicioso, considerando eventuais atrasos da empresa para colocar plataformas em operação.

Em seu plano, a Petrobras destaca que o aumento de produção previsto leva em consideração a entrada de 19 novos sistemas até 2022, sendo oito deles apenas em 2018, o que deve contribuir para um salto na produção até 2019.

No plano de negócios anterior (2017-2021), a petroleira previa a entrada em operação de quatro plataformas em 2017 e apenas duas começaram efetivamente. Cinco plataformas estavam programadas para começar em 2018 no planejamento anterior da empresa.

Em sua nova curva de produção, a Petrobras aponta um aumento expressivo da produção de 2018 para 2019, devido a entrada das novas plataformas, mas a empresa não detalha qual o volume exato de produção para 2019.

Segundo Parente, as plataformas previstas para 2018 estão bem encaminhadas, com índice de conclusão de mais de 85 por cento. Além disso, as duas previstas para 2019 estão 90 por cento concluídas.

DÍVIDA

A Petrobras prevê que seu endividamento líquido cairá para 77 bilhões de dólares até o quarto trimestre de 2018, de 88 bilhões de dólares no terceiro trimestre deste ano.

Embora o recuo não deva ser suficiente para que a companhia deixe de ter a maior dívida global do setor, tende a ajudar na sua desalavancagem.

Parente afirmou, durante sua apresentação, que tem uma perspectiva muito boa para o cumprimento da meta de desalavancagem.

“Nós acreditamos que eles vão entregar essa meta”, disse o Itaú BBA.

Até 2022, a Petrobras quer o “indicador convergindo para a média mundial das principais empresas de óleo e gás classificadas como ‘investment grade’”, afirmou a empresa em apresentação.

Em paralelo, a Petrobras prevê uma recuperação nos preços do petróleo Brent até 2022, saindo de uma média de 53 dólares por barril em 2018 para 73 dólares cinco anos depois.

O cenário da estatal ocorre em meio à extensão do pacto global de corte de produção liderado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep e Rússia) até o fim de 2018.

Já o dólar deve saltar de uma média de 3,44 reais em 2018 para 3,80 reais em 2022, segundo a Petrobras.

Reportagem adicional de Paula Laier e Luciano Costa, em São Paulo, e Leonardo Goy em Brasília

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