December 28, 2017 / 3:34 PM / in a year

Marun nega pressão sobre governadores mas diz que vai "dialogar de forma especial" com quem recebe financiamento

Ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, durante evento no Palácio do Planalto, em Brasília 21/2/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, negou nesta quinta-feira, em nota, que tenha condicionado a liberação de financiamentos da Caixa Econômica Federal aos Estados a esforço dos governadores pela aprovação da reforma da Previdência.

“Desafio qualquer um a destacar o trecho em que afirmo que financiamentos estão condicionados a apoio a necessária Reforma da Previdência. Afirmei, como reafirmo, que espero que todos os agentes públicos tenham a responsabilidade de contribuir neste momento histórico da vida da nação”, disse o ministro depois de afirmar que assistiu à sua própria entrevista para verificar o que havia dito.

O ministro, que tomou posse no lugar do tucano Antonio Imbassahy há menos de 15 dias, afirmou em entrevista, há dois dias, que os financiamentos da Caixa “são ações de governo” e que “deve, sim, ser discutido com esses governantes alguma reciprocidade no sentido de que seja aprovada a reforma da Previdência”.

A declaração do ministro causou problemas para o governo. Em carta, governadores do Nordeste reagiram à entrevista. Membros do Ministério Público e políticos também criticaram Marun.

Na nota, divulgada apenas nesta quinta-feira, Marun diz que afirmou, e reafirma ainda, que vai “dialogar de forma especial com aqueles que estão sendo beneficiados por ações do governo, pleiteando o seu envolvimento no esforço que estamos fazendo para realizar as reformas que o Brasil necessita”.

Marun acusa ainda os governadores que reagiram à sua afirmação de tentar esconder a ação do governo federal em ações financiadas pelos bancos públicos para “buscar resultados eleitorais exclusivamente para si”.

Ontem, durante discurso em evento no Rio de Janeiro, o presidente Michel Temer também cobrou empenho de governadores pela reforma.

“Se não fizermos a reforma da Previdência agora, não haverá qualquer candidato a governador, deputado ou senador que não tenha que tocar no assunto, pois será cobrado a respeito disso”, afirmou o presidente.

Reportagem de Lisandra Paraguassu

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