August 6, 2018 / 5:28 PM / 3 months ago

Alckmin diz ser a favor de contribuição "voluntária" de sindicatos e defende mudanças no FGTS

BRASÍLIA (Reuters) - O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira ser favorável a um novo tipo de financiamento dos sindicatos que seja voluntário e que esse tipo de contribuição seja decidido em convenção coletiva da respectiva categoria.

Candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin 06/08/2018 REUTERS/Adriano Machado

Em sabatina com os presidenciáveis promovida pela Câmara Brasileira da Indústria de Construção (CBIC) em Brasília, Alckmin fez um aceno ao setor e disse que vai acabar com o uso dos recursos do FI-FGTS em projetos que não sejam de interesse direto do trabalhador e também defendeu elevar a rFemuneração do fundo, podendo até “equalizar” o rendimento se for necessário.

O tucano defendeu que a contribuição sindical não volte a ser compulsória, medida eliminada com a reforma trabalhista do governo Michel Temer, aprovada pelo Congresso. Mas disse ser a favor do retorno do financiamento dos sindicatos —essa é uma das reivindicações do Solidariedade, um dos partidos que se coligou com ele e com forte base sindical.

“A forma de financiamento os trabalhadores é que devem decidir em convenção coletiva, se é zero (por cento do salário), 0,1, a maneira de fazer. O governo não vai se envolver nisso. Sou totalmente contra imposto sindical e o governo não vai se envolver nisso”, disse ele, ao defender que essa mudança vai reduzir em muito número dos sindicatos.

Para o presidenciável, não é “razoável” ter 17 mil sindicatos no país. “Você não tem sindicatos, tem cartórios”, disse ele, destacando que no mundo inteiro os sindicatos que funcionam têm representatividade.

O candidato defendeu uma revisão na política de investimentos do FI-FGTS, ao destacar que houve uma “roubalheira inacreditável” na administração dessas verbas recentemente.

“Quero que todo o dinheiro do FGTS vá para o seu fim primordial, moradia, infraestrutura, saneamento, mobilidade, todo, todo o recurso do trabalho”, disse, que sinalizou com um apoio do governo na remuneração a fim de que ela não fique abaixo da inflação. “Sou da linha da transparência absoluta. Se precisar, o governo equaliza”, disse.

O tucano disse que também vai estimular o setor com uma política de créditos a juros compatíveis e também indicou que poderá ajudá-los com equalização de juros.

Alckmin afirmou que também vai acabar com a tributação do Pasep e do Cofins de empresas de saneamento, desde que “todo esse dinheiro” vá para o investimento da área. Em entrevista, ele explicou que isso poderia render um aporte de até 3 bilhões de reais para investimentos do setor.

Durante a sabatina, o tucano foi aplaudido em diversas ocasiões pelas respostas. No início, o presidente da CBIC, José Carlos Martins, fez uma elogio ao ex-governador paulista. “Conte conosco que eu tenho certeza que o seu governo será um sucesso”, disse.

O candidato defendeu a aprovação do projeto de lei que muda as regras para o uso e liberação dos agrotóxicos, batizado por contrários à proposta de “lei do veneno”. Ele disse que a proposta não é lei do veneno, mas sim do remédio e disse que, assim como animais ficam doentes, as plantas também ficam e precisam de “defensivos agrícolas” para protegê-las.

O tucano fez críticas à demora para se aprovar o projeto no Congresso. “Quando se demora mais de oito anos para aprovar um produto novo, você está prejudicando a população”, disse.

Para ele, o agricultor é o maior defensor do meio ambiente, mas é preciso dizer “não à burocracia” e se reduzir prazos para a liberação desse tipo de produto.

REFORMAS IMEDITAS

Alckmin disse que usará os seis primeiros meses do governo, se for eleito, para avançar nas reformas necessárias para o país, citando como prioridades a tributária, a previdenciária, a do Estado e a política.

Para o tucano, o vencedor da eleição —que deverá vencer a corrida presidencial com um ativo de cerca de 60 milhões— tem de usar essa legitimidade “muito grande” para fazer as reformas.

O tucano lembrou que, em 2019, o próximo presidente vai assumir com um déficit primário estimado de 139 bilhões de reais, o sexto ano seguido de rombo nas contas públicas. Ele disse que a situação é “insustentável” e quer zerar esse déficit rapidamente, em dois anos.

“Política fiscal boa não tem déficit e abre espaço para investimentos”, defendeu Alckmin.

DESBUROCRATIZAÇÃO

O tucanos disse que discute com especialistas a simplificação da legislação para desburocratizar a prestação de serviços públicos, de forma a trazer mais segurança jurídica e evitar a judicialização de projetos do setor. Ele defendeu mudanças legais para se ter regras claras e evitar o conflito.

Alckmin aproveitou para defender uma maior competitividade no setor financeiro, de forma a reduzir o custo do crédito. Para ele, a diminuição do risco —reduzindo a inadimplência e criando um cadastro nacional— poderia atrair novos competidores para este mercado.

O candidato se disse contra a privatização do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, mas posicionou-se favorável à diversificação da oferta de crédito por meio de cooperativas e fintecs.

MARINA

Em entrevista após a sabatina, o tucano rebateu a afirmação da candidata da Rede, Marina Silva, de que ele, juntamente com outros candidatos, como Henrique Meirelles (MDB), seria um extremista ao não reconhecer “problemas de corrupção” e “erros cometidos”.

A ex-senadora criticou, em entrevista, o tucano, afirmando que “existem aqueles que, mesmo estando no governo, tentarão parecer, como é o caso da candidatura do PSDB, de que é outra coisa e não é”.

Ao responder a candidata da Rede, Alckmin lembrou a participação dela no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Nunca fui do PT nem nunca fui ministro do Lula, muito pelo contrário, sempre estive em polo oposto”, respondeu ele, cutucando a adversária, que foi ministra do Meio Ambiente de Lula.

Alckmin afirmou ainda que, em relação a casos de corrupção, a lei é para todos e que não se passa a mão na cabeça de ninguém. Ele destacou que quem cometeu ilícito deve pagar. “Não desacreditamos das instituições, elas são importantes, decisão judicial se respeita e a lei é para todo mundo”, reforçou.

Ao defender a conciliação e não o que chamou de “guerra” entre nós e eles, o candidato disse ainda que é um candidato por uma “aliança importante de grandes partidos”.

“Você precisa ter uma aliança para, vencendo a eleição, fazer as coisas e implementá-las. Há uma distância grande entre o falar e o fazer, fui quatro vezes governador de São Paulo e fiz”, afirmou.

O tucano minimizou a uma possível repetição da polarização no segundo turno entre o PSDB e o candidato do PT.

“Não sei quem vai estar no segundo turno, se for o PT, nós vamos enfrentá-los”, disse. “Estamos num momento bem diferente, de levar esperança para a população, não podemos ficar no marasmo”, desconversou.

O tucano repetiu novamente que a senadora Ana Amélia, do PP, é a “vice dos sonhos” e que o objetivo de escolhê-la não é contra “A, B ou C” —um dos focos nos bastidores seria tentar resgatar eleitores conservadores que devem apoiar o candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Ele disse que não conhecia o vice de Bolsonaro, o general da reserva Hamilton Mourão.

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