October 30, 2019 / 5:24 PM / 22 days ago

Mourão diz que Bolsonaro sofre ataques vis e reconhece que caso Marielle perturba governo

(Reuters) - O presidente em exercício, Hamilton Mourão, disse que o presidente Jair Bolsonaro é vítima “dos mais vis ataques à sua pessoa” após reportagem da TV Globo afirmar que o porteiro do condomínio de Bolsonaro no Rio de Janeiro disse em depoimento que um suspeito do assassinato da vereadora Marielle Franco entrou no local dizendo que iria à casa do então deputado.

Vice-presidente Hamilton Mourão com o presidente Jair Bolsonaro ao fundo durante cerimônia em Brasília, em março 28/03/2019 REUTERS/Ueslei Marcelino

Antes dessa declaração, publicada no Twitter, Mourão reconheceu a jornalistas que, embora avalie que o episódio não tenha força para derrubar o governo, ele perturba o andamento dos trabalhos da gestão Bolsonaro.

“Enquanto o presidente @jairbolsonaro consegue mercados e investimentos para o #Brasil, aqui se perpetra um dos mais vis ataques à sua pessoa, vindo de quem nunca defendeu a verdade, a honestidade e o interesse nacional. #Forçapresidente, sob sua liderança, o Brasil avança!”, escreveu Mourão, que é general da reserva do Exército.

Mais cedo, em entrevista a jornalistas, Mourão avaliou o depoimento do porteiro como fraco e disse que o caso não merecia o “escândalo” que foi feito em torno do episódio.

“Eu acho que foi um depoimento muito fraco, acho que não era o caso de ter feito o escândalo todo que foi feito em cima disso aí”, disse Mourão, que está no exercício da Presidência enquanto Bolsonaro está em viagem no exterior.

“Não dá para derrubar o governo dessa forma, mas que perturba o bom andamento do serviço, como se diz na linguagem militar, perturba”, avaliou.

A reportagem da TV Globo afirmou que o sistema de presença da Câmara dos Deputados mostrou que Bolsonaro estava na Casa quando Élcio Queiroz, acusado de dirigir o carro usado no assassinato de Marielle e de seu motorista Anderson Gomes, entrou no condomínio para ir à casa de Ronnie Lessa, acusado de efetuar os disparos que mataram a vereadora do PSOL, no mesmo dia do crime.

Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo durante a madrugada em Riad, capital da Arábia Saudita, em que fez duros ataques à Globo e ao governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), a quem acusou de vazar informações das investigações sobre o assassinato, que estão em segredo de Justiça.

Exaltado, Bolsonaro xingou a emissora, usou um palavrão e disse que Witzel quer destruir sua família. Para Mourão, no entanto, a reação do presidente foi “bastante calma, até”. O vice-presidente também levantou dúvidas sobre a condução das investigações pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

“Toda pessoa quando é atingida de forma desleal, e quando ele sabe que não tem nada a ver com o processo, a pessoa se sente triste, se sente enraivecida, muitas vezes. Acho que o presidente reagiu com bastante calma, até”, disse.

“Esse assunto é um assunto que não sustenta um interrogatório normal desse cidadão aí. Não quero entrar em outros detalhes, porque esse inquérito está sendo conduzido lá pela polícia do Rio de Janeiro, mas a gente sabe que a polícia do Rio de Janeiro, parte dela, está envolvida nesse crime”, afirmou.

Depois de Bolsonaro afirmar que acionaria o ministro da Justiça, Sergio Moro, para que a Polícia Federal ouvisse o porteiro, e antes de Moro enviar ofício ao procurador-geral da República, Augusto Aras, pedindo que a Procuradoria-Geral da República (PGR) abra inquérito sobre a citação do presidente, Mourão disse que Bolsonaro tem autoridade para se defender.

“Está na mão do Estado ainda, do Estado do Rio de Janeiro. É um crime cometido lá, não é um crime federal, então continua sendo investigado por lá. Agora, tem que ser investigado de forma correta”, disse Mourão.

“Se chegar-se à conclusão que o inquérito lá do Rio de Janeiro efetivamente não está sendo conduzido de forma correta, eu acho que o presidente tem toda autoridade para tentar buscar uma defesa dele fazendo com que esse cidadão seja ouvido por outras pessoas”, acrescentou.

Por Eduardo Simões, em São Paulo

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