December 18, 2019 / 12:55 PM / a month ago

Loja que tem Flávio Bolsonaro como sócio foi alvo de busca em operação do MP do Rio

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Uma loja franquia de uma rede de chocolates que tem como sócio o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, foi alvo de busca e apreensão nesta quarta-feira em uma operação comandada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro na investigação que investiga um suposto esquema de “rachadinha”, quando se há apropriação de salários de servidores da época em que ele era deputado estadual fluminense.

Senador Flávio Bolsonaro em evento no Planalto 16/7/2019 REUTERS/Adriano Machado

O advogado de Flávio Bolsonaro, Frederick Wassef, confirmou em nota a batida em um dos endereços do seu cliente.

“Recebemos a informação sobre as novas diligências com surpresa, mas com total tranquilidade. Até o momento, a defesa não teve acesso a medida cautelar que autorizou as investigações e, apenas após ter acesso a esses documentos, será possível se manifestar”, disse.

“Confirmo que a empresa do meu cliente foi invadida, mas garanto que não irão encontrar nada que o comprometa. O que sabemos até o momento, pela imprensa, é que a operação pode ter extrapolado os limites da cautelar, alcançando pessoas e objetos que não estão ligados ao caso”, completou.

Em meio às investigações, o senador foi ao Palácio da Alvorada no início da noite desta quarta, onde foi recebido pelo pai, o presidente Jair Bolsonaro, que, diante da presença do filho, não parou para falar com apoiadores e jornalistas que o aguardavam em frente à residência oficial, como costuma fazer, limitando-se a tirar algumas fotos brevemente com alguns simpatizantes.

As investigações envolvendo Queiroz chegaram a ser paralisadas este ano depois de uma decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que proibiu investigações que usassem como base informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) —como ocorre na investigação do Ministério Público do RJ. A medida foi derrubada posteriormente pelo plenário do Supremo.

Uma fonte ligada ao senador disse, reservadamente, que ele esperava alguma ação do MP fluminense, mas não estava claro se isso realmente ocorreria por agora. O senador avaliava que algo poderia ocorrer após a decisão do Supremo sobre Coaf. Ele, que está em Brasília, ficou surpreso com a operação, segundo essa fonte.

A operação desta quarta é um desdobramento das investigações que descobriram movimentações financeiras atípicas de então assessores de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual, em especial de Fabrício Queiroz e de familiares da ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro. Queiroz era um dos principais assessores de Flávio na Alerj.

Em nota, o Ministério Público do Rio informou que 24 endereços foram alvos de busca e apreensão numa apuração que visa investigar movimentações suspeitas envolvendo Queiroz. Em razão do sigilo da operação, segundo a nota, mais informações não poderiam ser divulgadas.

“A operação é uma continuidade do fluxo da investigação”, disse uma fonte com envolvimento direto na ação, sob sigilo. “A operação está em curso e as diligências estão sendo cumpridas”, acrescentou uma segunda fonte.

A defesa de Queiroz afirmou em nota que recebeu com tranquilidade e surpresa a medida de busca e apreensão deflagrada nesta quarta-feira, “uma vez que ele sempre colaborou com as investigações, já tendo, inclusive, apresentado todos os esclarecimentos à respeito dos fatos”.

Segundo fontes com conhecimento da ação deflagrada nesta quarta-feira, Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro, e pessoas próximas a ela que teriam trabalhado como assessores de Flávio Bolsonaro na Alerj estão entre os alvos. Não foi possível localizar de imediato representantes de Valle.

Flávio Bolsonaro é investigado pelo MP do Rio de Janeiro por suspeita de irregularidades financeiras em seu gabinete na Alerj. Queiroz, que seria o coordenador do esquema, movimentou mais de 1 milhão de reais em suas contas bancárias no intervalo de um ano, de acordo com as investigações.

Reportagem de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro, e Ricardo Brito, em Brasília; reportagem adicional de Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro, e Lisandra Paraguassu, em BRasília

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