February 20, 2020 / 8:28 PM / 5 months ago

CEO da Petrobras critica atividades "terroristas" contra trabalhador da empresa

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um dia antes de uma reunião de conciliação com petroleiros em greve há 20 dias, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, criticou ações que classificou como “terroristas” para intimidar um aposentado integrante de equipes de contingência que ajudam a manter as operações da estatal.

Roberto Castello Branco, CEO da Petrobrás, em evento no Rio de Janeiro 09/12/2019 REUTERS/Sergio Moraes

A jornalistas, Castello Branco afirmou ainda que a estatal estaria preparada para uma longa paralisação, se necessário, e reiterou o discurso de que a greve não afetou a produção da empresa.

Ele atribui essa situação às equipes de contingência que têm atuado com “amor e paixão” e “suado a camisa” durante o movimento.

Segundo ele, grevistas intimidaram um funcionário da Petrobras aposentado há dois anos, que decidiu voltar à estatal em meio a esse período de greve.

“Estamos preparados para enfrentar uma longa greve e temos gente profissional, de alta qualidade para operar plataformas e refinarias, e temos gente dedicada e disposta a trabalhar...”, afirmou.

“Ontem mesmo eu liguei para um funcionário da Petrobras aposentado que foi assediado, sofreu ameaças no seu prédio, com faixas para intimidar ele e a família dele por simplesmente ter decidido voltar à ativa depois de dois anos... ele foi vítima de um ataque covarde de radicais... mostrei a ele nosso repúdio a essas atividades que consideramos terroristas e oferecemos proteção a ele e sua família.”

O executivo destacou que “o Brasil é uma democracia e a liberdade de escolha tem que ser respeitada”.

“Ninguém pode me ameaçar e a minha família por querer trabalhar. Isso é regime autoritário, de ditadura, que nós repudiamos”, adicionou Castello Branco.

Procurada para comentar as declarações do executivo, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), que está à frente do movimento grevista, disse desconhecer a informação.

Na sexta-feira, em Brasília, deve acontecer uma audiência de conciliação liderada pelo ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Martins Filho, que pode definir os rumos da paralisação.

Na última quarta-feira, a cúpula da FUP aprovou um indicativo pela suspensão temporária da greve, antes da realização da mediação no TST.

As bases regionais estão analisando a orientação do comando da FUP nesta quinta-feira.

Os petroleiros em greve querem a revisão das demissões de funcionários de empresa de fertilizantes no Paraná, uma empresa que foi desmobilizada pela Petrobras após sucessivos prejuízos. Eles querem ainda revisão do acordo trabalhista apresentado no fim do ano passado.

Os petroleiros falam em mil desligados, incluindo trabalhadores indiretos, mas o CEO afirma que a empresa tinha 396 empregados. O executivo acrescentou que a Petrobras, além do pacote de benefícios, está oferecendo aos desligados um curso de capacitação gratuito pelo Senai.

Em tom mais conciliador, o diretor de Relacionamento Institucional da Petrobras, Roberto Ardenghy, afirmou que a empresa vai “de espírito desarmado” para a reunião de conciliação. “A expectativa é positiva para reunião de amanhã”, declarou.

“EU POSSO SER UM BILIONÁRIO”

Em um momento de mais descontração durante questionamentos de analistas e jornalistas nesta quinta-feira, após a divulgação de um lucro anual recorde na véspera pela Petrobras, Castello Branco arrancou risos dos interlocutores ao falar sobre questões relacionadas a metas de longo prazo para emissões.

Ele ainda questionou rivais, incluindo a petroleira britânica BP, que no início deste mês anunciou a meta de atingir zero emissões líquidas até 2050. Tais metas de longo prazo, ele argumentou, são impossíveis de aplicar, especialmente considerando que é provável que a administração da empresa mude várias vezes até lá.

“Metas para 2050, eu posso anunciar várias agora. Inclusive, que vou ficar bilionário em 2050. É muito fácil, eu não vou estar aqui para ser cobrado, provavelmente você não estará também”, disse, em resposta a uma jornalista. “Não temos metas para 2050, nós temos metas que sejam viáveis e que nós sejamos cobrados.” A gestão de Castello Branco está buscando focar seus esforços em ativos de exploração e produção de petróleo de alta rentabilidade, enquanto busca vender ativos considerados não essenciais e reduzir sua dívida.

Quando questionado sobre perspectivas nas áreas de energias renováveis, o executivo tem falado que a empresa não tem experiência no setor. No fim de janeiro, a empresa anunciou que está vendendo participações acionárias nas empresas Eólica Mangue Seco 1 e Eólica Mangue Seco 2, proprietárias de usinas de geração de energia eólica.

Com reportagem adicional de Gram Slattery

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