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Nacional

Bolsonaro diz aguardar resultado de exame para coronavirus e sugere adiamento de manifestações

BRASÍLIA (Reuters) - Vestindo máscara de proteção respiratória, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira ainda não ter o resultado de exame a que se submeteu após um integrante de sua comitiva presidencial em viagem aos Estados Unidos ter resultado positivo em teste para o novo vírus.

Presidente Jair Bolsonaro no interior do Palácio do Alvorada pouco após a notícia de que o secretário de Comunicação do governo contraiu coronavírus 12/03/2020 REUTERS/Adriano Machado

Ao lado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que também usava máscara, o presidente sugeriu que as manifestações de apoio a seu governo, que também têm entre seus objetivos protestar contra o Legislativo e o Judiciário, sejam adiadas por conta do novo coronavírus.

“Eu estou usando máscaras porque nessa recente viagem aos Estados Unidos, uma das pessoas que veio comigo no voo, quando desceu em São Paulo, foi fazer exames habituais e deu positivo para o coronavírus”, disse, referindo-se a seu secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten.

“Então todo mundo que estava no voo hoje coletou materiais de nós. Ainda não deu resultado, Mandetta, tem aí órgão de imprensa dizendo que deu negativo. Tomara que sim, tomara que esse fake news seja verdadeiro, mas não deu ainda. Acredito que nas próximas horas, eu tenha o resultado do meu e de mais algumas pessoas que estiveram comigo”, afirmou o presidente na transmissão ao vivo pelo Facebook que costuma fazer às quintas-feiras.

Bolsonaro confirmou ainda que fará um pronunciamento em rede nacional nesta noite, aproveitando para afirmar que assinará uma medida provisória liberando 5 bilhões de reais para o enfrentamento da doença, declarada pandemina pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Sobre as manifestações previstas para o próximo domingo, disse reconhecer a legitimidade dos movimentos, sejam “contra ou a favor de quem quer que seja”, mas pontuou que as instituições devem ser preservadas.

“Obviamente, da minha parte, ninguém pode atacar o Parlamento, o Executivo ou o Judiciário”, disse, na live.

“O que eu vejo nesse movimento do dia 15, que daqui a pouco estarei em rede falando sobre ele: o que devemos fazer agora é evitar que haja uma explosão de pessoas infectadas porque os hospitais não dariam vazão a atender tanta gente”, afirmou.

“Então há uma certa divisão, tendo em vista mais gente que pode se juntar nesse dia e ajudar a propagar o vírus”, disse. “Então, como presidente da República, eu tenho que tomar uma posição --se bem que o movimento não é meu. Então daqui a pouco, às 20h30 (no pronunciamento), uma das ideias é adiar, suspender, para daqui um mês, dois meses.”

Sobre a disputa com o Congresso relacionada ao controle de recursos do chamado Orçamento Impositivo --cerca de 15 bilhões de reais, afirmou que já foi dado “um tremendo recado ao Parlamento”.

Disse, ainda, que recorrerá à Justiça para resolver a derrubada de veto presidencial a projeto que amplia o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Com forte apelo social, a rejeição do veto implica, nas estimativas do governo, em um impacto de 20 bilhões de reais apenas no primeiro ano.

O posicionamento do Congresso tem como pano de fundo a postura de Bolsonaro em relação à disputa por controle de recursos do chamado Orçamento Impositivo.

Bolsonaro citou ainda, na live desta quinta, os efeitos econômicos da crise relacionada ao coronavirus, que provocaram a queda de bolsas no mundo e levaram a uma alta do dólar, que tiveram oscilações históricas nos últimos dias.

Reportagem de Maria Carolina Marcello e Gabriel Ponte

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