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Nacional

Bolsonaro desafia Maia e Alcolumbre a irem às ruas e diz que "histeria" sobre coronavírus pode agravar desemprego

(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro desafiou os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a irem às ruas lidar com a população, após ele próprio ter se juntado a uma multidão em frente ao Palácio do Planalto e defendido as manifestações de domingo espalhadas pelo país que tinham o Congresso como um dos alvos principais.

Presidente Jair Bolsonaro chega a reunião com ministro das Minas e Energia em Brasília 15/01/2020 REUTERS/Adriano Machado

“Eu gostaria que eles saíssem às ruas como eu. A resposta é essa. Nós políticos temos responsabilidade e devemos ser quase que escravos da vontade popular. Saiam às ruas esses dois parlamentares”, disse Bolsonaro em entrevista à CNN Brasil na noite de domingo.

Apesar da pandemia de coronavírus ter levado autoridades de saúde a desaconselhar aglomerações de pessoas, Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada e saudou uma pequena multidão nas grades do Planalto. Ao longo de todo o dia o presidente publicou vídeos de manifestações pelo país em suas redes sociais, mesmo após ter feito um apelo na quinta-feira para que os atos fossem repensados.

A atitude do presidente foi criticada pelos presidentes das duas Casas do Congresso, especialmente em função do coronavírus. “Com a pandemia do coronavírus fechando as fronteiras dos países e assustando o mundo, é inconsequente estimular a aglomeração de pessoas nas ruas”, disse Alcolumbre em nota.

Bolsonaro garantiu não ter problemas com os líderes parlamentares e disse que busca uma aproximação com ambos, mas os desafiou a testar sua popularidade.

“Respeito os dois, não tenho nenhum problema com eles, estão fazendo suas críticas, estou tranquilo no tocante a isso, espero que não queiram partir para algo belicoso depois dessas minhas palavras aqui. Agora, prezado Davi Alcolumbre, prezado Rodrigo Maia, querem sair às ruas? Saiam às ruas para ver como vocês são recebidos”, afirmou.

Esperava-se que Bolsonaro se resguardasse no domingo. Após ser divulgado que o secretário de Comunicação de Presidência, Fabio Wajngarten, foi infectado com o coronavírus, Bolsonaro realizou um teste que teve resultado negativo. O presidente, no entanto, ainda deve passar por outro exame para confirmar que não está infectado devido ao tempo de encubação do vírus.

Perguntado na entrevista sobre os eventuais riscos de ter entrado em contato com tantas pessoas, Bolsonaro disse não estar preocupado e afirmou que não se pode entrar em uma neurose.

“Eu tomei minhas devidas precauções. Agora é o povo, eu sou um representante da sociedade brasileira, da população. Estive do lado deles, tá certo? E isso daí, muitos pegarão isso independentemente dos cuidados que tomem. Isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde. Temos que respeitar, tomar as medidas sanitárias cabíveis, mas não podemos entrar numa neurose, como se fosse o fim do mundo”, afirmou.

“Outros vírus muito mais letais e perigosos aconteceram no passado e não tivemos esse problema e essa crise toda. Com toda certeza há um interesse econômico envolvido nisso que se chega nessa histeria, que não teve no passado”, acrescentou.

GABINETE DE CRISE

Bolsonaro também afirmou durante a entrevista que será instalado nesta segunda-feira um gabinete de crise para decidir as medidas que serão tomadas em relação ao coronavírus, principalmente na área econômica.

O presidente criticou a decisão do Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de suspender as competições nacionais organizadas pela entidade, e disse que uma “histeria” devido ao vírus pode agravar a situação econômica e o desemprego.

“Certas medidas que estão sendo tomadas pelos governadores, eles têm autoridade para fazer isso, nós temos que ver até que ponto essas medidas vão afetar nossa economia, que em grande parte vem do povão. Quando você proíbe jogo de futebol você está partindo para o histerismo, no meu entender”, afirmou.

“Devemos tomar providências porque pode sim se transformar em uma coisa bastante grave o vírus no Brasil, mas sem histeria, porque a economia tem que funcionar. Nós não podemos ter uma onda de desemprego no Brasil, e o desemprego leva pessoas que já não se alimentam muito bem a se alimentar pior ainda e vão ficar mais sensíveis uma vez sendo infectadas e levar até a óbito.”

Por Lisandra Paraguassu, em Brasília, e Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro; Edição de Camila Moreira

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