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Nacional

Mandetta admite dificuldades para comprar respiradores e pede racionalidade aos países

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, admitiu nesta sexta-feira que o Brasil tem tido dificuldades para comprar respiradores e outros insumos de auxílio no combate ao novo coronavírus e reforçou a necessidade de que as pessoas diminuem a atividade social para reduzir o avanço do contágio no país.

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta 03/04/2020 REUTERS/Adriano Machado

Mandetta disse, em entrevista coletiva diária no Palácio do Planalto sobre o coronavírus, que o país continua num “momento difícil” em termos de abastecimento e contou que nesta sexta-feira foi frustrada a confirmação de compra de 680 respiradores pelo Nordeste que viriam da China.

“O mundo inteiro compra da China, isso fez com que atravessássemos fevereiro e março sem poder adquirir de lá”, disse ele, citando o fato que o país --que foi a origem do coronavírus-- voltou inicialmente a sua produção de insumos apenas para abastecer o mercado interno.

“Temos aí uma coleção de problemas que vão se somando neste mercado”, acrescentou Mandetta, que nesta semana já havia reclamado de compras enormes dos Estados Unidos na China que tinham derrubado compras do Brasil.

O ministro fez um apelo por racionalidade dos países na hora de fazer compras de insumos e equipamentos no momento em que a pandemia se espalha pelo mundo.

Diante do cenário, Mandetta recomendou mais uma vez que as pessoas diminuam a atividade social com o objetivo de reduzir o contágio, voltando a contrariar a posição do presidente Jair Bolsonaro, que defende a volta das pessoas ao trabalho para recuperar a atividade econômica.

Na véspera, Bolsonaro disse em entrevista à rádio Jovem Pan que tem faltado humildade ao titular da Saúde e que ele deveria ouvi-lo mais. No entanto, pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira mostrou que o Ministério da Saúde tem uma aprovação mais de duas vezes superior à atribuída a Bolsonaro.

O ministro recomendou “fortemente” por parte da sociedade e dos governadores que mantenham medidas de contenção social e justificou que cada pessoa que deixa de ir para um centro de terapia intensiva (CTI) é um insumo que está se economizando.

“A gente sabe que mais na frente pode ter uma espiral de casos”, considerou.

Mandetta também voltou a levantar suspeitas sobre as informações da China a respeito dos casos no país, colocando em dúvida inclusive o número de casos relatados pelo país asiático.

Segundo o ministro “é digno de muitas perguntas” que um país com a população da China tenha tido pouco mais de 3 mil mortes, sem que cidades grandes como Pequim tenham sofrido um colapso de seu sistema de saúde, enquanto países como Itália, Espanha, França, Inglaterra e Estados Unidos têm enfrentado problemas enormes.

CARGO

Sobre os desentendimentos com Bolsonaro, Mandetta ressalvou que o cargo de ministro da Saúde é de livre nomeação do presidente. Ele não quis comentar dados da pesquisa Datafolha.

“Não tem nada a ver com minha aprovação ou do presidente. É instintivo, é preservação da vida”, disse. “Se a humanidade não tivesse este instinto, a Índia, com 1,3 bilhão de pessoas não teria ouvido o primeiro-ministro Modi (Narendra Modi) pedir para irem para casa”, completou.

Para o ministro, há uma “vontade muito grande de acertar” do entorno do governo e de pessoas que tenham amor ao Brasil, como o presidente. Ele disse que entende reações dessa forma. “Não é nada desconfortável”, asseverou.

Mandetta afirmou não ser o “dono da verdade” e frisou que simplesmente está vendo o paciente --no caso, o Brasil-- e tem um caminho que está seguindo. Ele disse ser normal a gente buscar a opinião de um segundo médico e considerou que não se tem uma “fórmula pronta” para essa epidemia porque “o mundo não tem”.

“Cabe ao paciente, que é representado pela Presidência, avaliar se a conduta está certa ou errada”, disse, ao avaliar que todos que passaram pela pandemia em uma marcha acelerada tiveram situações de colapso do sistema de saúde. “Minha marcha é lenta”, disse.

O ministro fez uma série de afagos ao presidente na coletiva e disse entender a forma como ele se movimenta em nome do brasileiro carente, o informal. Bolsonaro tem feito uma defesa intransigente de que as pessoas voltem a trabalhar, contrariando recomendações da área de saúde de se manter o isolamento social. Mandetta disse que, para isso, o remédio são as políticas sociais que estão sendo aprovadas.

“O Brasil é um dos países que mais têm aprovado políticas sociais”, afirmou.

Para o ministro, todos querem o mesmo objetivo, a ciência e os políticos, mas às vezes se tem visões diferente de como se atingir esse objetivo. Ele disse que a saúde é uma parte no quebra-cabeça, talvez a mais sensível por lidar com a vida.

Mandetta disse entender os empresários que têm se queixado a Bolsonaro. Mas fez um alerta de que o custo para a economia será maior em caso de um desarranjo total do sistema de saúde.

“Quando se faz o colapso, a economia sofre mais do que quando se isola”, disse ele, acrescentando ter havido uma redução “muito expressiva” da movimentação das pessoas e especulou que “talvez” isso tenha segurado os casos.

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