April 30, 2020 / 2:57 PM / 4 months ago

Taxa de desemprego no Brasil sobe a 12,2% no 1º tri e mostra sinais de impacto do coronavírus

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A taxa de desemprego do Brasil terminou o primeiro trimestre em 12,2%, com 12,85 milhões de desempregados no país, em um movimento sazonal, mas que já apresenta os primeiros sinais do impacto do coronavírus sobre o mercado de trabalho.

Pessoas aguardam na fila para tentar receber ajuda emergencial do governo federal aos mais vulneráveis, em meio ao surto de doença por coronavírus no Rio de Janeiro 14/04/2020 REUTERS / Lucas Landau

A Pnad Contínua divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira mostrou aumento da taxa ante 11,0% no quarto trimestre de 2019 e 11,6% nos três meses até fevereiro. No mesmo período de 2019, o desemprego era de 12,7%.

O resultado de março ainda ficou abaixo da expectativa pesquisa da Reuters de taxa de 12,5%, na mediana das projeções. É a maior taxa desde o trimestre encerrado em maio de 2019.

O mercado de trabalho brasileiro vinha esboçando uma recuperação em sintonia com a economia, mas agora sofre o golpe de um período sazonal que costuma mostrar que não houve sustentação das contratações feitas no final do ano anterior.

Entretanto, a pandemia de coronavírus vem mantendo lojas e comércios fechados devido ao isolamento social, e o mercado de trabalho tende a acompanhar a contração esperada no Produto Interno Bruto, com os impactos totais da pandemia ainda incertos e os isolamentos em muitos locais se prolongado por abril e maio.

“A pesquisa tem movimento sazonal de dispensas, mas tem claramente sinais do impacto do Covid-19”, disse o coordenador da Pnad Contínua, Cimar Azeredo. “O efeito da pandemia já apareceu de claro e de pronto em março.”

Entre janeiro e março, o total de desempregados no país era de 12,85 milhões, contra 11,632 milhões no quarto trimestre e 13,387 milhões no mesmo período do ano anterior.

O IBGE informou ainda que o total de pessoas ocupadas foi a 92,223 milhões nos três primeiros meses do ano, uma queda de 2,5% ante o período imediatamente anterior, o maior recuo de toda a série histórica

“Não dá para separar efeito sazonal e do Covid-19. A ocupação reduziu muito, a busca por trabalho caiu pelo distanciamento social”, explicou Azeredo.

Os trabalhadores com carteira assinada no primeiro trimestre somavam 33,096 milhões, contra 33,668 milhões entre outubro e dezembro, também um sinal dos impactos da pandemia.

Os empregados sem carteira no setor privado eram 11,023 milhões, ante 11,855 milhões no período anterior.

A taxa de informalidade chegou a 39,9% no primeiro trimestre deste ano, ante 41% no último trimestre de 2019, o que representa 36,8 milhões de trabalhadores. Os informais são os trabalhadores sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, empregadores sem CNPJ, os conta própria sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.

A Pnad mostrou ainda que o total de pessoas fora da força de trabalho subiu para 67,3 milhões, batendo novo recorde desde 2012. Esse grupo é formado por pessoas que não procuram trabalho, mas que não se enquadram no desalento.

Os desalentados, aqueles que desistiram de procurar emprego, somaram 4,8 milhões.

O rendimento médio do trabalhador chegou a 2.398 reais nos três meses até março, de 2.371 reais até dezembro.

COLETA

De acordo com Azeredo, a pesquisa foi realizada por telefone e ela não foi alterada, embora não tenha sido desenhada para ser realizada dessa maneira. Segundo ele, 80% dos domicílios que responderam em março responderam em dezembro.

“Só 20% não tínhamos contato. Usamos nossa bases e buscamos dados da saúde, motoboy, telegrama e artifícios para contactar as pessoas e fazer a pesquisa. A taxa de resposta da pesquisa ficou em 61% e sempre é mais de 80%”, completou.

Azeredo explicou que foi realizada uma auditoria interna sobre a qualidade da pesquisa e que a coordenação a avalizou. Para abril, a taxa de resposta, segundo ele, é de 50% até agora.

“Já perdemos o Caged e não podemos perder a Pnad Contínua, ainda mais num momento difícil como esse para o mercado de trabalho”, disse.

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