May 22, 2020 / 11:31 PM / 3 months ago

Vídeo não comprova acusação de Moro sobre interferência de Bolsonaro na PF, avalia fonte jurídica do governo

Presidente Jair Bolsonaro em Brasília 15/05/2020 REUTERS/Adriano Machado

BRASÍLIA (Reuters) - O vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, divulgado nesta sexta-feira por decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), não comprova a acusação feita pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir nos trabalhos do comando da Polícia Federal, disse à Reuters uma fonte ligada à ala jurídica do governo.

A fonte disse que, na avaliação de assessores jurídicos do presidente, não há demonstração de indício de crime cometido por Bolsonaro ao fazer cobranças aos ministros no encontro. A fonte, no entanto, preferiu não fazer qualquer tipo de consideração sobre o conteúdo da fala do presidente do ponto de vista político.

A segurança para tal avaliação, segundo a fonte, se dá depois que a Advocacia-Geral da União (AGU) ter mudado de orientação sobre a liberação do vídeo —inicialmente não queria qualquer tipo de divulgação— para permitir que isso ocorresse praticamente na íntegra.

Ao apresentar dias atrás a degravação de dois trechos da reunião ao Supremo, a AGU disse que Bolsonaro referia-se à sua insatisfação quanto à segurança pessoal e não de troca da Polícia Federal.

Reservadamente, a avaliação desses auxiliares é que não foi de todo ruim a divulgação feita pelo ministro Celso de Mello, porque a grande preocupação era com trechos que poderiam prejudicar relações diplomáticas, disse a fonte.

Após a divulgação do vídeo, caberá à Procuradoria-Geral da República tomar uma decisão sobre o andamento do inquérito do Supremo que investiga o presidente a partir da acusação feita por Moro.

Originalmente, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Supremo a abertura de inquérito sobre a fala do ex-ministro e citou uma série de supostos crimes que poderiam ter sido cometidos, como obstrução de Justiça, prevaricação e advocacia administrativa.

Augusto Aras só vai se pronunciar sobre o vídeo na próxima semana, disse uma fonte. Aras quer assistir ao vídeo com calma, cada uma das partes liberadas pelo STF. Ele não viu ainda a gravação, somente procuradores da sua equipe esta semana, disse a fonte.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below