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Nacional

PGR denuncia deputado Arthur Lira, um dos líderes do centrão, por corrupção na Lava Jato

BRASÍLIA (Reuters) - A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nesta sexta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), um dos líderes do centrão na Câmara dos Deputados, por corrupção passiva em caso referente a investigações da operação Lava Jato.

Lira foi acusado criminalmente pela PGR de receber quase 1,6 milhão de reais em propina da empreiteira Queiroz Galvão para garantir que o PP --partido da qual é líder da bancada na Câmara-- mantivesse o apoio do então diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

A denúncia contra o líder do PP ocorre no momento em que ele e o centrão se aproximam do presidente Jair Bolsonaro.

O presidente tem dado cargos a indicados do grupo como forma de garantir apoio parlamentar no momento em que é alvo de um inquérito no STF e que, em caso de denúncia pela PGR, terá de contar com votos de deputados para barrar o julgamento da acusação. Além disso, há inúmeros pedidos de impeachment protocolados na Câmara dos Deputados.

O parlamentar, que é réu em outro processo da Lava Jato no STF, é um dos cotados para suceder Rodrigo Maia (DEM-RJ) no comando da Câmara na eleição prevista para o início do próximo ano.

O suposto repasse a Lira, teria sido feito em duas parcelas, tendo como origem recursos desviados pela empreiteira da Petrobras, segundo a PGR.

O deputado assumiu a liderança do partido após a ida do então deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PI) para o Ministério das Cidades em 2012, ainda no governo da então presidente Dilma Rousseff.

“Com essa ascensão, Arthur Lira passou a atuar de modo mais concreto no esquema de arrecadação de propina, fiscalizando os de pagamentos ao grupo dissidente”, escreveu a subprocuradora-geral da República Lindôra Maria Araújo, designada para coordenar a equipe da Lava Jato na PGR por Augusto Aras, o chefe do Ministério Público Federal.

Em nota, o advogado Pierpaolo Bottini, defensor de Lira, rebateu a denúncia da PGR. Disse que o deputado fez parte de um grupo que “assumiu a liderança do PP e afastou Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef do partido”.

“Fato já provado e que explica a inimizade dos colaboradores e suas reiteradas tentativas de envolver o parlamentar em ilícitos dos quais não participou”, disse o advogado.

“O doleiro diz que Arthur Lira recebeu indevidos valores por meio de um operador chamado Ceará, mas esse último --também colaborador-- desmente tal versão em dois depoimentos. O próprio STF reconheceu as inverdades de Youssef em outros depoimentos contra a Arthur Lira. Fundamentar uma denúncia nas palavras desse doleiro é premiar um ato de vingança contra alguém que se postou contra suas práticas”, finalizou Bottini.

Reportagem de Ricardo Brito

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