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Nacional

Bombeiro é preso no Rio acusado de atrapalhar investigações do assassinato de Marielle

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um bombeiro militar foi preso no Rio de Janeiro nesta quarta-feira acusado de atrapalhar as investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, em 2018, informaram a polícia e o Ministério Público estadual.

Homem segura bandeira com o rosto da vereadora assassinada Marielle Franco no Rio de Janeiro 31/05/2020 REUTERS/Pilar Olivares

Maxwell Simões Correa foi preso em sua casa, localizada em um condomínio de luxo na zona oeste do Rio de Janeiro e no local os agentes encontraram um carro importado de alto valor.

Segundo as investigações, o bombeiro teria ajudado a esconder armas que pertenceriam ao ex-policial militar Ronnie Lessa, preso e apontado como autor dos disparos que mataram Marielle e Anderson em março de 2018. As armas foram descartadas no mar e a suspeita é que entre elas estaria a submetralhadora usada para matar a vereadora.

O bombeiro teria emprestado o carro usado para esconder as armas, segundo as investigações.

“O papel de Maxwell para obstruir as investigações foi ceder o veículo utilizado para guardar o vasto arsenal bélico pertencente a Ronnie, entre os dias 13 e 14 de março de 2019, para que o armamento fosse, posteriormente, descartado em alto mar”, disse o MP.

“A obstrução de Justiça praticada pelo denunciado, junto aos outros quatro denunciados, prejudicou de maneira considerável as investigações em curso”, acrescentou.

Lessa e o também ex-policial militar Helcio Queiroz estão presos fora do Rio e são apontados como os autores do crime. O mandante e o motivo ainda são investigados.

O advogado Leandro Meuser, que representa Correa, disse que o bombeiro é inocente, que não é amigo de Lessa e que demonstrará que ele tem renda compatível com os bens encontrados pelos policiais ao prendê-lo nesta manhã.

“Ele me disse que conhece Ronnie Lessa, mas que não é essa amizade que a polícia está dizendo. A polícia diz muitas coisas, mas é preciso provar”, disse o advogado a jornalistas.

“É precipitado dizer que meu cliente é bode expiatório e não vou criticar uma investigação que não tive acesso, mas certamente na acusação de obstrução de Justiça ele é, com certeza, inocente”, acrescentou.

No final de maio, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou pedido da Pocuradoria-Geral da República para federalizar as investigações sobre o assassinato de Marielle e Anderson.

“A prisão ratifica a decisão de não federalizar do crime e achamos que será importante chegar a mais detalhes do crime. Nossa intenção é fazer esse desfecho e mais de 60 pessoas já foram presas”, disse o delegado Daniel Rosa.

De acordo com a promotora Simone Sibilio, Correa permaneceu em silêncio e pediu a presença de um advogado.

Além do mandado de prisão, a polícia e o MP cumprem 10 mandados de busca e apreensão.

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