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Nacional

Militares enviam médicos para fazer exames de Covid-19 em índios na Amazônia

IMPERATRIZ, Maranhão (Reuters) - Militares encerraram nesta segunda-feira uma operação de três semanas que proporcionou cuidados médicos ao povo indígena guajajara, que vive na Amazônia, afetado pela Covid-19, em reação às críticas de que o país não está protegendo povos indígenas vulneráveis da pandemia.

Médico das Forças Armadas examina criança do povo guajajara no Maranhão 03/10/2020 REUTERS/Adriano Machado

Líderes guajajara elogiaram as Forças Armadas por levarem médicos e enfermeiros de avião para fazerem exames rápidos de Covid-19 e examiná-los em busca de outras doenças, mas criticaram a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) por não protegê-los do novo coronavírus.

O Ministério da Defesa disse que seus médicos fizeram 37 mil checkups desde 24 de setembro e que levaram 39 toneladas de remédios, alimento e equipamento de proteção aos guajajara, um povo que mora em várias reservas da floresta tropical do Maranhão.

Os guajajara são conhecidos por suas equipes de guerreiros, conhecidos como os “guardiães da floresta”, criadas para impedir que madeireiros ilegais invadam suas terras, o que acontece cada vez mais desde que os controles ambientais foram afrouxados pelo presidente Jair Bolsonaro.

Grupos indígenas e de direitos humanos, como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Human Rights Watch, criticam o governo por ter reduzido a abrangência da Sesai e por ignorar o sofrimento dos povos indígenas diante da pandemia.

Até agora, houve 47 mortes de Covid-19 entre os 800 mil indígenas brasileiros, de acordo com a Sesai, que só oferece cuidados de saúde àqueles que moram em reservas. Outros 388 morreram em áreas urbanas fora das reservas, segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

O diretor da Sesai, Robson Santos, disse aos repórteres que a taxa de letalidade dos casos de Covid-19 entre os povos indígenas do Brasil acabou se mostrando muito menor do que a esperada: 1,5%.

O total de mortos do país chegou a 146.352 no domingo, e os casos confirmados a 4.915.289.

Também no domingo, helicópteros militares levaram clínicos gerais, além de ginecologistas e até veterinários, ao vilarejo de Morro Branco, onde três pessoas morreram de Covid-19.

Carlos Travassos, ex-autoridade da Fundação Nacional do Índio (Funai) responsável por povos indígenas isolados, disse que o envio de médicos foi apenas uma operação de mídia para tentar mostrar que o governo está combatendo a Covid-19 entre comunidades indígenas.

“O que ocorreu de fato foi uma ação pra inglês ver”, opinou.

Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759 REUTERS ES

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