September 29, 2014 / 8:54 PM / in 4 years

Dólar fecha em níveis de 2008 com avanço de Dilma em pesquisas eleitorais

Por Bruno Federowski

Um brasileiro troca dólares por reais em corretora de câmbio no Rio de Janeiro. 04/08/2003 REUTERS/Bruno Domingos REUTERS

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou a segunda-feira no maior nível desde o fim de 2008 após as últimas pesquisas eleitorais mostrarem avanço nas intenções de voto para a presidente Dilma Rousseff (PT), cuja política econômica é duramente criticada por investidores.

O dólar subiu 1,64 por cento, a 2,4557 reais na venda. Trata-se do fechamento mais alto desde 12 de dezembro de 2008, ápice da crise financeira global, quando ficou em 2,4730 reais.

O moeda norte-americana alcançou 2,4792 reais na máxima da sessão, mas perdeu um pouco do ímpeto depois que exportadores aproveitaram as cotações altas para vender dólares. Além disso, alguns especulavam que o Banco Central poderia aumentar a intervenção no câmbio para evitar pressões inflacionárias.

Segundo dados da BM&F, o giro desta sessão foi de cerca de 2 bilhões de dólares.

“O mercado entrou com todas as fichas numa vitória da oposição e pagou para ver. O que a gente está vendo hoje é a reversão desse movimento”, disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

Segundo levantamento do Datafolha divulgado após o fechamento dos mercados na sexta-feira, Dilma praticamente dobrou sua vantagem contra Marina Silva (PSB) nas intenções de voto para o primeiro turno e passou a ter vantagem numérica sobre a ex-senadora em simulação de segundo turno. [nL2N0RR2ST]

Quase no final do pregão, pesquisa CNT/MDA também confirmou o avanço da presidente, dando mais um impulso ao dólar. [nE6N0PY013]

“Se isso se confirmar (avanço de Dilma) nas próximas pesquisas, o céu é o limite para o dólar”, afirmou o gerente de câmbio da corretora Fair, Mário Battistel, para quem a moeda norte-americana pode ir acima de 2,50 reais no curto prazo.

O movimento desta sessão foi turbinado pela decepção do mercado após não se confirmarem boatos de que uma revista semanal publicaria reportagem sobre novo escândalo desfavorável à reeleição de Dilma. Na sexta-feira, essa especulação levou a moeda norte-americana a fechar em queda ante o real, descolada do exterior. [nE6N0R502Q]

O cenário externo também impulsionou o dólar. Investidores evitaram comprar ativos de maior risco por cautela antes da divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos na sexta-feira, levando a divisa norte-americana a subir contra moedas emergentes, como as do Chile e do México.

Os números podem reforçar as expectativas de que a alta dos juros norte-americanos ocorra de forma mais intensa do que a esperada, atraindo recursos aplicados em outros países.

BANCO CENTRAL

A forte pressão cambial levou alguns investidores a cogitar a possibilidade de o BC brasileiro intervir com mais força no mercado para limitar o impacto inflacionário da alta do dólar.

“Nesses níveis, o mercado opera com especulações de que o BC pode aumentar a intervenção, o que impõe alguma cautela. Mas é claro que isso não é o suficiente para trazer o dólar de volta para os níveis de dois meses atrás (entre 2,20 e 2,25 reais)”, afirmou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

Battistel, da Fair, acredita que o BC pode atuar com mais força no mercado para evitar essas arrancadas, ampliando os leilões de swaps, entrando com leilões de linha ou até mesmo com venda de dólares à vista.

Alguns analistas, contudo, apostam que o BC não fará intervenções adicionais, atuando apenas por meio dos leilões diários e das rolagens de swaps, uma vez que o movimento do real está, em certa medida, alinhado com o de outras moedas emergentes. Toda a região tem sofrido com temores de que os juros dos Estados Unidos subam de forma mais intensa do que a esperada.

Tanto o real quanto o peso mexicano e o sol peruviano se desvalorizaram de 3 por cento a 4 por cento desde o início do ano. Outras divisas tiveram desempenho bem pior: o peso chileno, por exemplo, perdeu mais de 12 por cento de seu valor no mesmo período.

“Não é uma questão de liquidez que está prejudicando o mercado, é uma questão de expectativas”, afirmou o operador de um importante banco nacional. “Com falta de liquidez, o BC consegue brigar. Com expectativas deterioradas, não vale a pena comprar briga.”

Até agora, a autoridade monetária deu continuidade às intervenções diárias no mercado de câmbio, colocando nesta sessão a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem à venda futura de dólares.

Foram vendidos 1,7 mil contratos para 1º de junho e 2,3 mil para 1º de setembro de 2015, com volume equivalente a 197,5 milhões de dólares.

O BC também vendeu a oferta total de até 15 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em outubro e, com isso, rolou praticamente todo o lote, que corresponde a 6,677 bilhões de dólares. [nE6N0RO003]

O próximo lote de swaps vence em 3 de novembro e equivale a 8,84 bilhões de dólares. O mercado espera amplamente que esses contratos sejam rolados integralmente.

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